DEPOIS DA TEMPESTADE…

DEPOIS DA TEMPESTADE…

Devo uma explicação a meus amigos e frequentadores do Blog.

Moro em uma chácara, em uma pequena cidade do interior. Um belo local, a um e meio quilômetro do centro. O problema é que a Internet aqui é precária, não na cidade, porém no final da rua. E um raio, nas últimas chuvas, torrou meus computadores e minha paciência que restava com essa parafernália eletrônica que domina nossas vidas.

A energia voltou. Mas o sinal, não. A saúde retornou também. A paciência… quase.

Para completar, à época de meu último post, a superposição de atividades (ONG, Loja de Informática, Presidência de Clube, reforma de casa, Partido Verde e uma pressão contínua para retornar ao universo confuso da política, acabou levando minha pressão a 22! Sinceramente, cheguei a falecer, sim, como disse um comentarista. Mas ressuscitei e já me encontro quase inteiramente vivo. Coisinha de nada está faltando…

Meus familiares intervieram e, muito acertadamente, manipularam a situação dificultando meu retorno ao acesso à Internet. Virei um eremita, cansado de relações humanas complicadas. E não podia mais ver um computador que me sentia literalmente dominado pela gana de devorá-lo!

No centro de minhas intenções, estava o assunto da organização fantasma , aquela que chamei de Confraria. Naqueles dias, minha indignação chegara ao máximo! Parecia-me o fim do mundo o fato de que instituições sérias, profundamente respeitadas pela sociedade, houvessem se desvirtuado tanto de seus princípios até ultrapassarem o limite mínimo da ética e montar um sistema informal organizado com a finalidade de blindar o acesso dos aposentados a seus direitos.

Rascunhei um artigo excessivamente objetivo e contundente que, hoje vejo, extrapolava o respeito que se deve aos poderes constituídos. Felizmente, amigos e familiares, não me deixaram publicá-lo. Certamente, já me encontrava meio pirado com a situação dos aposentados do BB. O texto era nos moldes do J’ACUSE, de Émile Zola. Quem o conhece, pode imaginar a loucura que me acometeu.

Na verdade, foi um breve surto de indignação exasperada. A coisa não pode ser assim. Nossa capacidade de tolerância deve funcionar também de baixo para cima. “Atire a primeira pedra, aquele que nunca errou no exercício de suas atividades líbero¬-profissionais” – se é que os senhores da língua permitem escrever assim. E não é que até mesmo o Supremo Tribunal Federal, último reduto de moralidade a que não poderia chegar o câncer da corrupção, àquela época já visto com desconfiança por boa parte do público pagante, mostra agora, recentemente, sua disposição para promover a melhor justiça de que o ser humano é capaz?

Os tempos mudam. Demora, mas mudam. No final, prevalecerão a justiça, a dignidade, a honradez, o respeito humano… De outra forma o Demônio terá vencido e vamos todos queimar no inferno.

Nesse tempo todo fora do ar, nunca mais voltei ao blog, por razões de saúde, de dificuldades com a rede e de outras de natureza pessoal. Um amigo ligou, hoje, para me informar de que o superavitsprevi.wordpress.com, esquecido e sem monitoramento, encontrava-se livremente aberto a todo tipo de comentários.

Muita pornografia, minha gente! Posso até entender as razões de cada um. Quando enfio a canela em uma gaveta aberta, bendigo a faculdade de poder soltar um retumbante PQP! Nada funciona melhor! Mas isso em uma situação de dor física e súbito descontrole. Em um instrumento como um blog, criado para veicular insatisfações de uma classe tão experiente como a dos aposentados, acredito que nossa atitude deve ser de contenção, sem extremismos de baixa ordem. Afinal, temos que mostrar a nossos adversários que somos gente inteligente e capaz de externar nossas insatisfações com muita indignação, mas com igual carga de argumentação civilizada.

Muita saudade de muita gente. Edgardo, Juarez, Marcos, Ari, Elias, e um montão de outros mestres e amigos que conheci aqui. Para você, Cláudia do Rio, um abraço especial. A gente ainda vai se falar. Só que vou suspender o blog, talvez por mais algumas semanas, até a poeira baixar…

Até breve,

Paulo Motta.

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A CONFRARIA

Circula nos meios eletrônicos a informação de que atua nas regiões de sombra dos fundos de pensão uma poderosa organização informal, coesa, de mãos dadas, perfeitamente administrada, que impõe uma mordaça invisível em todas as instituições envolvidas com os direitos dos aposentados, objetivando evitar a veiculação de informações capazes de fortalecer os recursos da classe junto aos tribunais.

Concedamos que tal procedimento não se configure um crime de lesa-ancianidade, mesmo porque e uma vez que, neste país, o cidadão idoso, ao que parece, não pode mais ser sujeito de direitos. Ou, então, ouçamos, calados, a voz da mídia, se cujo apoio e complacência vierem traduzidos na insinuação maliciosa de que tudo não passa de mais uma teoria da conspiração.

Será? Decididamente, sabe-se que os poderes não gostam dos aposentados, a não ser quando se trata de seus próprios membros, claro, que ninguém lá tem propensão para a autofagia. Mas o fato é que a informação sobre a Confraria explica o silêncio da PREVI, cativa do sistema de rejeição aos direitos dos assistidos, aqueles velhinhos trambiqueiros do Sasseron.

Para justificar medidas anti-previdenciárias, a grande imprensa já diz que o governo gasta mais com os aposentados que com os jovens. Não há porque comparar tais custos. São grupos com necessidades e extensões completamente diferentes. Um governo que se preze deve gastar o que cada segmento precisa, em lugar de permitir que a corrupção nacional atinja a absurda cifra de R$ 85 bilhões, devidamente calculada e apartada como despesa indispensável para a tranquilidade nacional. Só que essa tranquilidade nacional não contempla a maioria e nem os que fundaram e sustentaram, por longos anos, as entidades privadas criadas para o fim específico de complementar as merrecas pagas pelas instituições públicas. Mas os articuladores dessa política perversa certamente acreditam que essa situação tem como se estender por muito tempo, sem enfrentar uma reação crescente e cada vez mais forte da parte prejudicada e inconformada.

É poder demais para enfrentar, é verdade! No entanto, a notícia começa a pipocar por aí, acordando os desassistidos de outros fundos de pensão. Antes que isso vire uma guerra de proporções inimagináveis, pede-se encarecidamente a nossos supremos governantes que relaxem um pouco essa antipatia pelos abengalados, compreendam melhor os exageros dessa política injusta e façam alguma coisa para atenuar a angústia desses cidadãos que trabalharam honestamente, por longos anos ajudando a produzir as riquezas nacionais, caindo agora em situação financeira cada vez mais complicada.

Ninguém quer briga. Ninguém deseja confusão. Tudo que se pretende é que o Estado consiga, pelo menos, reduzir as agruras dos desativados – ao chegar a hora de receber o retorno de seus investimentos –, em lugar de permitir que os agentes públicos fiquem se organizando em estruturas silenciosas e invisíveis, se, dessa forma, mais se assemelharem a quadrilhas a serviço do crime que a organizações respeitáveis – que de fato são e devem ser – trabalhando nobremente pela paz crescente e duradoura entre governantes e governados, contribuídos e contribuintes, privilegiados e miseráveis.

Paulo Motta

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PARCERIAS NAS SOMBRAS

“Num país onde impera a corrupção, é proibido ser honesto. Num ambiente onde grassa a mentira, é crime falar a verdade. Numa classe onde a velhice é explorada, ninguém deve amar e respeitar os idosos, sob pena de banimento para o fogo do inferno. Habitamos um lugar onde, também, não é concebível trabalhar de graça por idealismo, por amor ao próximo…”. Marcos Cordeiro.

Não se trata de presunção. Ao contrário, percebo existirem aqui, nos blogs, pessoas mais inteligentes, mais sábias e melhor informadas que eu, sob muitos aspectos. No entanto, em face, talvez, de um esforço constante e enraizado, sinto-me em condições de observar de um ponto de vista imparcial esses desentendimentos entre nossas coortes. Constitui prática saudável, e um método até filosófico, examinar ao máximo a possibilidade de a razão estar do lado daqueles que nos criticam.

Nem tão bom funcionário fui nem posso dizer que me aposentei mal, é verdade. O que me incomoda é a situação aflitiva de quem não teve minha mesma sorte, ainda que a tenha merecido mais que eu. Assim, aquela imparcialidade passa logo e, após a reflexão que pretendo livre, alinho-me com os aposentados e as pensionistas, porque é desse lado que devo, preciso e quero estar.

Nos momentos de curta isenção, é possível admitir, por exemplo, que os bombardeios do Marcos são realmente pesados e, algumas vezes, chegam a machucar mais do que devem ou pretendem. No entanto, se seus desafetos desejam ser vistos com tolerância e compreensão, precisam se fazer acreditar melhor. Tudo que rola no mundo das informações eletrônicas sobre as instituições federadas pesa contra os nereus. Juntamente com os camilos e os sasserons, todos parecem habitar uma região penumbral que não irradia a confiança necessária para captar a simpatia dos aposentados. Que culpa então tem o titular do Blog?

Saiam seus adversários desse mundo de sombras. Deixem-se ver com mais nitidez, em suas ações, e não serão alvo da crítica ácida dos mais indignados. Já circula via e-mails uma interessante informação sobre as reticências, omissões e retraimentos da PREVI, no tocante ao dever de informar sobre tudo que seja de interesse geral e particular de seus assistidos. Dizem que essa atitude é fruto de uma política combinada entre os diversos fundos de pensão, PREVIC e outros parceiros, no sentido de evitar o fornecimento de dados que favoreçam reclamações perante a Justiça. Difícil não ver isso como manobras de porão arquitetadas por entidades que deveriam primar pela seriedade e pela transparência, conforme rezam seus próprios regulamentos internos. Difícil também não imaginar que a FAABB e as AFAS anti-Marcos não façam parte dessa mesma confraria, ainda que existam em seus quadros muita gente bem intencionada.

O problema é que, desde os históricos mais antigos (onde quase não vimos, do lado das associações que se disseram atingidas, o registro de uma defesa efetiva dos cabeças brancas), passando pelo caso da assinatura do representante substituto, pelo episódio da escolha claudicante do auxiliar da presidente da FAABB, pelos elogios a um inimigo assumido, pelas estranhas acontecências de Xerém e pelo equívoco de não distinguir a AAPPREVI de seu presidente, analisando tudo isso não se percebe nesses fatos nenhum feito que se iguale ao que faz pela causa dos desassistidos o titular do Blog Previplano1, castigador implacável dos que já ganham fama de ambíguos e ostentadores.

Gostaria muito que não fosse assim, que até mesmo o próprio Banco acordasse para o fato de que tudo deveria fazer para que sua grande família não se dividisse e que os aposentados poderiam ser seus melhores amigos, fosse outra sua política previdenciária. Mas essas suas posições contraditórias, esses seus distanciamentos do melhor rumo, e todas essas imprecisões de nossos representantes causam indignação crescente e levam aos limites da paciência quem se entrega com destemor a uma luta tão árdua, tão difícil, tão complicada.

Afinal de contas, ainda que o Governo a administre, a Casa não lhe pertence totalmente, e não pode o Partido do Poder escravizá-la a serviço de seus interesses puramente políticos. E, se o Banco tem um passado de bons momentos a resgatar, quem se elegeu com nossos votos para um cargo de confiança deve sair na frente e com firmeza na cobrança desse ideal de libertação, sem deixar para trás o rastro pouco claro da posição duvidosa.

Por tudo isso, Marcos desponta como um herói, enquanto seus adversários embaçam ainda mais sua própria imagem, nessa inoportuna ameaça de processo. Por mais que o atinjam, a vitória moral será sempre dele…

Paulo Motta.

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DA NECESSIDADE DA INDIGNAÇÃO

Morar em uma chácara, a menos de 1 km da rua, em uma pequena cidade do interior é muito bom, sob muitos aspectos. Nem tudo, porém, é tranquilo, como a passarada revoando e a paisagem exuberante que se contempla. Um dos problemas é a Internet no final da linha: 16 dias fora do ar. Às vezes isso ocorre aqui, onde resido. Desse modo, perco seguidamente a possibilidade de acompanhar os assuntos em evidência. Mas o problema está superado, e, no retorno, várias notícias.

A expulsão da AAPPREVI, vejo-a como uma homenagem ao Marcos Cordeiro. Nossa única Associação acreditada, presidida por um homem confiável e combativo, não fica bem compondo o quadro de uma federação que tergiversa demais e não encabeça de fato uma luta eficaz em defesa dos aposentados.

A contundência do Marcos é inegável… e necessária. Nem só com palavras suaves é possível sacudir os alicerces da indiferença e do caráter ambíguo. Contemplemos, por exemplo, o ESTADO GERAL DE CORRUPÇÃO que se agiganta no país. Embora às vezes me expresse em termos militares, não sou nada chegado às armas. Na verdade, prefiro sempre a diplomacia, a mansidão, a brandura. No entanto, preciso reconhecer: de que valem tais virtudes diante do mal que se instala na alma humana e destrói tudo de bom que pode existir na sociedade? Jamais imaginemos que o país necessita de uma nova revolução armada. Contudo, meus amigos, se os povos não brandirem o chicote da indignação, nada vai consertar o mundo.

Nós próprios não podemos deixar de gritar conosco mesmos, de protestar veementemente contra os impulsos que nos atormentam a consciência moral. Se não cingirmos a cinta, se piscarmos o olho demoradamente, quantos de nós não acabaremos sucumbindo às tentações das mordomias, das vantagens, dos favores? Deixemos pois a hipocrisia de lado, para compreender que somos todos tão humanos quanto os corruptos e, inadvertidamente, podemos desgraçar nossa biografia de toda uma vida, se alguma vez, o grito forte de nossos críticos não nos acorda a tempo.

Defendo o Marcos, porque julgo entender sua forma de expressão. Se bem observamos, ela é diferente do discurso meramente agressivo, que somente visa a arrancar pedaços no adversário, a reduzir o desafeto, como modo de igualá-lo ao nível da pequenez de quem agride apenas para ferir e nada mais. O que move nosso presidente é a indignação diante das injustiças dos poderosos e do corpo mole daqueles que fazem jogo duplo para não prejudicar os próprios interesses. A equipe da Isa preferiu não compreender isso.

É claro que necessitamos também de um espaço em que as ideias possam fluir com o mesmo conteúdo, mas de forma a serem aceitas para discussão com o Patrocinador. Essa possibilidade concretiza-se na amplitude da visão do pessoal da AAPPREVI, sempre trabalhando em harmonia com o Presidente, que, além dos canais apropriados para dar vazão à indignação geral, propõe agora a criação de instâncias onde possa ter curso e validade esse diálogo franco e aberto, calcado na experiência dos muitos mestres que possuímos. Os dois últimos posts do Previplano1 podem estar preludiando a formação dessa jurisdição superior capaz de filtrar as ideias circulantes e constituir-se como um órgão capacitado a dialogar em alto nível com as instituições que controlam nossos recursos previdenciários, sempre com firmeza mas sem o tom forte da indignação dos demais veículos de expressão.

Acredito muito nessa última proposta de formação de um Conselho dos Autênticos como sugerido pelo Marcos e visualizado pelo Nasser (comentário no Previplano1), e ainda na forma como o post CHAPA LIMPA esboça a filosofia de enfrentamento das eleições na PREVI. Está sim faltando unidade nas diversas facções que compõem nosso movimento. Se conseguíssemos somar essas diversas associações, organizações e blogs em um órgão central, inspirado na capacidade de aglutinação em torno dos direitos comuns a todos nós, ganharíamos consistência, consciência unificada e, sobretudo, representatividade.

O Conselho necessitaria de pessoal experiente, formado nos próprios setores do Banco, capaz de se comunicar face a face e de igual para igual com os altos escalões institucionais, principalmente para atendimento ao que propõe o item 3d, tópico Propósitos, da proposta em referência. De minha parte, não me parece possível fazer muito. Viagens longas têm sido para mim extremamente difíceis, por razões já explicadas aqui. Brasília e Rio, centros de irradiação dos poderes que necessitamos sensibilizar, vêm me parecendo cada vez mais distantes, à medida que os anos avançam. Contudo, o espírito crítico e a identificação com os problemas dos aposentados e das pensionistas, continuam me mobilizando. O Blog segue em frente.

Desesperamo-nos atrás de boas notícias, mas os pessimistas nos assustam. É inglória toda nossa luta por um final de vida decente? Não temos chances? Contudo, sabemos, pelo menos, que o mal vem lá de fora. Nosso Conselho Vigilante, ora proposto, precisará chegar à frente dos poderosos e ilustrar as causas de nossa indignação crescente. Não somos crianças inconsequentes nem velhos trambiqueiros. Jamais quisemos o Banco invadido e subjugado. O quadro geral é, porém, desolador. Um vírus maligno ameaça todas as instituições criadas pelo homem. A economia mundial, cada vez mais bamba. A corrupção grassa por toda parte. Mata-se e rouba-se pelos motivos mais fúteis. Os valores se invertem. O capitalismo de estado domina o país, praticado por socialistas imprudentes. Nos meios políticos, ser honesto é vergonhoso e pouco inteligente. Sob a toga de nossos magistrados, não todos, ocorrem muito mais coisas do que supõe nossa vã filosofia…

É já o fim do mundo?

Paulo Motta.

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Liberdade de expressão e Privacidade. Duas essenciais características para o desenvolvimento da WEB na atualidade.

Este canal de relacionamento valoriza esse conceito e, para atender solicitações dos leitores, o POST ANÔNIMO está aberto. Assim, qualquer pessoa que se interesse em participar, mas se preocupa com sua privacidade, poderá expressar sua opinião. Ressaltamos que apenas será aplicado um filtro em caso de uso de expressões ofensivas ou palavras de baixo calão.

Marcel Fabri – Moderador

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SOBRE O ABAIXO-ASSINADO…

191011

Marcos,

Estava justamente rascunhando um texto para você, via e-mail, quando recebi aquele seu em que fala do distanciamento de seus objetivos verificado na proposta do Juarez. Também percebi isso, mas fiquei constrangido em tocar em certos aspectos do trabalho dele. Seus estilos são muito diferentes e meu receio era justamente que ele não se dispusesse a encabeçar um movimento como o que você propôs. E foi o que acabou ocorrendo. Uma pena. Juarez é um companheiraço!

Espera-se que o episódio não deixe sequelas entre vocês.

Minha concepção de abaixo-assinado acredita ser de natureza reivindicatória a personalidade desse tipo de documento. Juarez também entende assim. Mas vejo que você, como o genial comandante que é, criou um novo tipo de artefato atômico. Até aqui, nada contra. Penso que o texto final deveria estar realmente mais próximo daquele que você propôs. A PREVI já passou do ponto, em seu descaso para conosco. De sorte que não podemos abdicar de certa contundência, mesmo na formulação de um expediente como esse, cujo propósito primeiro, em sua formatação tradicional, não seria um ataque em si.

Como disse, só discordo de seu item 4. Em documentos da espécie, cabe perfeitamente o tom de reclamação, como também tem vez a secura, a objetividade, a firmeza e a indignação. Já a linha de intimidação, desafio, ameaça, não parece condizente com a índole de uma petição – pelo menos na visão conservadora.

No que respeita à necessidade de não amolecer em relação ao ES 150/150, estou de pleno acordo com você e não pude deixar de registrar isso para o Juarez. Também na questão do Voto de Minerva, assim o fiz. Lamentei ainda que outros aspectos estivessem dissonantes entre vocês; mas, como disse, receei que, diante de muita crítica o Juarez se melindrasse e desistisse. Vejo vocês dois como grandes combatentes, cada um lutando de seu jeito, ambos essenciais; cada qual escrevendo no momento certo e da forma como muito bem fazem. Sinto-me como um simples discípulo de vocês, que não pode pretender saber mais que seus mestres. Daí, que já me desculpo, com ambos, pela impertinência de meus questionamentos. Vocês estão nesse barco há muito mais tempo que eu. Sabem tudo. E seus propósitos são os mesmos; a diferença está nos estilos, na expressão de cada um. Você não é agressivo, como muitos de seus adversários o acusam. Na verdade é um indignado bravo, que não suporta a prepotência dos fortes e a esperteza dos poderosos para cima dos oprimidos. Aí está sua grandeza. Juarez é um guerreiro suave, desconcertante em sua sábia mansidão. Nisso reside sua força.

Meu ponto de vista sobre a questão da ameaça não me impede de assinar o documento. Prefiro de um jeito; mas, se tiver de ser de outro, não vejo nenhum problema. Afinal, os destinatários não merecem mesmo tanta preocupação. O que vai me chatear, e jamais perdoarei, é se o Presidente da PREVI não receber pessoalmente nossa Comissão. Esse direito ele não tem. Se o fizer, estará desrespeitando a todos que se sentem prejudicados, desassistidos, menosprezados, mesmo sendo os autênticos proprietários do patrimônio litigado, incluídos até aqueles que ainda permanecem desinformados e, por isso mesmo, ainda não se manifestaram.

Se essa massa de potenciais indignados acordasse e se pusesse em campo, nada deteria o então Poderoso Exército de Cabeças Brancas! Exército do Bem, que não joga bombas, que não mata ninguém, mas que não foge à luta pelo direito e pela dignidade do aposentado e da pensionista, como bem mostram os seguidores dos blogs, cansados, humilhados, endividados, mas sempre presentes, sempre acordados em busca de uma luz, de um caminho, de uma esperança…

Homens como você e Juarez simbolizam essa esperança.

Paulo Motta.

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JUDICIÁRIO

JUDICIÁRIO, O ÚLTIMO CÂNCER?

Parece que os governos consideram os aposentados como lixo. E tudo começa lá, no patrocínio dessa invasão sindicalista que destrói progressivamente não só o Banco como também a PREVI e tudo que ainda resta de bom neste país, se é que isto ainda é um país.

País é um todo organizado que constitui uma nação. Não há mais país, em um território onde até o Supremo Tribunal de Justiça deixa-se enfeitiçar pelos argumentos de diretores de bancos e de fundos de pensão, e já não parece mais existir esperança para os cidadãos comprometidos com o Estado de Direito, com a honra, com a decência, com o ânimo de dignificar, nesse comprometimento, não só a si próprio como ainda o povo e a espécie de que faz parte.

Enquanto a juventude começa a se mobilizar em protestos de rua contra a corrupção generalizada, na esteira de uma onda de denúncias, o informativo da AFABH publicou artigo de um juiz com ácidas críticas a alguns membros dos tribunais superiores notoriamente compromissados apenas com seu instinto carreirista e não com o propósito de promover uma justiça cada vez mais isenta e eficaz. Essa contaminação do Judiciário aos poucos vai se tornando visível também através da grande imprensa, que há tempos já identifica e denuncia as garras do sindicalismo petista infiltrado e enraizado em diretorias de empresas e órgãos estratégicos do governo.

Edgardo Rego descobriu uma entrevista com a ministra Eliana Calmon, Corregedora do Conselho Nacional de Justiça, e contribui ainda com dois outros textos da Folha de São Paulo e o Globo. Fique terminantemente proibido, pela consciência coletiva de cidadania de cada um, deixar de ler esses textos. As transcrições estarão aqui no Blog, em alguns dias. Delas, infere-se o que pode ter ocorrido entre um whisky e outro nas plácidas paisagens de Sauípe.

Por tudo isso, vê-se que a coisa vai mal por estas bandas verde-amarelas. Não debelado tempestivamente, o câncer consome o Legislativo e aprofunda-se onde menos poderia alojar-se: no coração do Judiciário! Será possível controlar essa metástase que se agigantou nas sombras, durante tanto tempo? Mas o lado positivo são justamente esses primeiros sinais de que pode estar se aproximando o momento do grande grito de moralização verdadeira e efetiva ainda não ouvido às margens do Ipiranga. É o coro geral que se anuncia e cresce. Bom momento para extravasarmos nossas queixas além dos limites de nosso contra-fundo de pensão e colaborar ativamente no memorável parto que pode estar vindo por aí.

Devemos sim continuar lutando, ainda quando percebamos nossas ações periféricas apenas fazendo cócegas nos gigantes, sem atingir o núcleo irradiador de seus poderes de manipulação e exploração das massas e sempre mantendo a pureza de nossas intenções, porque justamente isso é o que perdem os corruptos, em seu breve momento de ascensão e glória. A esses, jamais os venceremos, somente com nossas cócegas, embora possamos ajudar distraindo-os e preocupando-os, algumas vezes, enquanto a onda de insatisfação cresce para outros lados. Somente eles próprios se vencerão a si mesmos, porque a contradição está dentro deles, comendo-lhes imperceptivelmente o próprio fígado. Eis aí que traçam o próprio destino, como todos nós fazemos. O mal está ali, alojado no instinto egoísta e apodrecendo o lado bom que se recusam. Em breve, estarão completamente sitiados. Não podem vencer! Sua vitória final seria a derrota da humanidade. Não adianta calarem uma boca. Outras mil anunciarão o fim de seus mandatos…

Os corruptos cairão de podres, e não está longe o momento em que toda a humanidade vai enfrentar essa depuração, para realização das sábias palavras de Cristo, antevendo o dia da separação do joio e do trigo. Nosso dever é não distrairmos na percepção e na denúncia de seus movimentos mal intencionados, sempre vigilantes, inclusive, para que o vírus da corrupção não encontre pasto também em nossas almas, e um processo real de purificação de nossas instituições se instale de forma definitiva no organismo desta nação que desejamos continuar ajudando a construir.

Parecem apenas cócegas, nossos indignados comentários; mas não são. Constituem, sim, o princípio do despertar da consciência cívica generalizada. É nossa própria história, como desassistidos da PREVI, somando-se à imensa população brasileira de pé contra o Estado de Degeneração Moral que se apoderou do País.

Problemas temporários de saúde vêm me dificultando uma participação maior em nossa causa. Nada grave. É sabido que a coluna cervical absorve o bombardeio emocional e se instabiliza. Dificuldade de locomoção e ainda alguma dor deprimem a vontade. O pessimismo aproveita e toma conta. Dei um tempo, para não contaminar meus colegas com esse desânimo atroz que me consumia. Mas quem criticou tem razão. Se desejo dar continuidade ao Blog, tenho de encontrar tempo para manter a regularidade das edições, assim como energia e fé, para não transmitir desânimo.

Contudo, enquanto a normalidade não retorna, ainda me resta espaço na alma para reproduzir um trecho bem humorado, não sei de que autor:

“Não se preocupem. O fim do mundo foi cancelado para o Brasil. O país não tem condições de abrigar um evento de tal porte…”.

Paulo Motta.

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