A GUERRA DOS CABEÇAS BRANCAS

A GUERRA DOS CABEÇAS BRANCAS

A indignação que emana dos comentários mais irados, no blog de Marcos Cordeiro, sinto-a como um brado valente, capaz de derrubar resoluções espúrias e sem viço suficiente para impressionar as mentes lúcidas do direito universal. Ainda quando demasiado agressivos, nascem eles, aqueles comentários, do cansaço dos mais dedicados profissionais com que o banco pôde contar em sua história. Temos certeza absoluta de que todas as gerações de funcionários passadas pelo Banco, se estivessem aqui, agora, estariam gritando conosco em um formidável coro de vozes revoltadas. Seria o protesto ensurdecedor de milhares e milhares de profissionais formados em uma escola de ética e administração de muito boa qualidade. Daí nossa tolerância zero com todo aquele que agora dá eco à voz autoritária do Banco e da Previ.

Como entender o Banco, o Banco do Brasil que projetava no país inteiro aquela imagem sólida de uma entidade séria que a maioria de nós conhece desde a juventude? Como compreender aquela gigantesca instituição que tanto atraia a admiração da sociedade brasileira subindo agora no arcabouço enjambrado de uma norma administrativa totalmente desacreditada, para fazer valer um direito que positivamente não tem?

Ora, quem baixou a cabeça nas instruções da Direção Geral e trabalhou honestamente, ajudando a crescer uma entidade que servia ao desenvolvimento da economia brasileira, nos bons tempos em que o Banco ainda não corria com voracidade atrás de lucro, quem aprendeu que a corrupção não compensa e jamais transigiu com o desrespeito à coisa pública; quem forjou seu código moral no aço das mais puras intenções profissionais, não consegue tolerar essa atitude tortuosa dos que fazem o jogo dos coronéis de gravata, aqueles que agora silenciam suas consciências na defesa infeliz de um documento inequivocamente dirigido para produzir um direito ilegítimo. É muito difícil que essa nossa gente de cabelos brancos aceite silente, comportada, um procedimento tão claramente ilegal da parte dos poderosos de hoje.

Positivamente, o Banco não deveria estar agora exigindo que tudo isso passe pela garganta rasa da 026 e não haja mais conversa. Antes, diante da grita geral daqueles que ele próprio selecionou um dia dentro de critérios e exigências rigorosos, o Banco precisaria provar para todos nós a tese de que a tal resolução nasce de conceitos de justiça e direito inquestionavelmente legítimos. Não nasce! Afirmamos isso e, graças ao Marcos Cordeiro, já podemos citar Egardo Rego e José Aristophanes. Pemitamo-nos aqui uma pitada de ingenuidade e concedamos até que não haja má fé alguma na elaboração daquele instrumento para-jurídico. Acreditemos que seus criadores entendam sinceramente que o fato de o direito reclamado pelo patrocinador não estar previsto no estatuto da Previ não significa nada. Valeria então o argumento do juiz Waldemar de que, se o patrocinador poderia ser chamado a participar de um eventual deficit igualmente possui o direito legítimo de tomar parte também no superavit. Neste raciocínio, passamos do condicional ao presente, nos modos verbais. Vale dizer: do suposto, deduzimos o concreto. Às vezes, isso leva a conclusões acertadas. Neste caso, porém, está claro que não. O raciocínio está forçado. É um sofisma. Os aportes financeiros do Banco à Previ eram doações, não empréstimos. Parece que o psiquismo das instituições funciona como o dos indivíduos. Em um e outro, procedimentos repetitivos, posturas padronizadas, condicionam pontos de vista dificilmente reversíveis. Por viver de empréstimos, o Banco deve achar que tudo é empréstimo. Por não ser mais uma entidade que existe apenas para promover a distribuição da riqueza e o desenvolvimento econômico, agora só pensa em lucro, a ponto de pretender apropriar-se até do alheio? Pode ser um caso para psicanálise de pessoa jurídica, se isso existe. Dói-me fazer esse tipo de crítica. Sempre vi o Banco com outros olhos. Embora nunca tenha sido um funcionário brilhante, sempre me orgulhei de pertencer a seu quadro de servidores. Sempre o vi como uma organização rebelde, resistente às intromissões meramente políticas de governos de esquerda e de direita, como deve exigir sua natureza mista, que tem de dar satisfações não apenas ao Estado, como ainda aos acionistas minoritários.

Daí a grande decepção que nos consome agora, aposentados e demais prejudicados por essa infame Resolução 026. Daí que vamos à guerra! A guerra dos cabeças brancas. Nossas armas são a decência, o direito e a solidariedade. E é justamente nas idades em que nos encontramos que esses torpedos funcionam com potência máxima! Com nossas imensas e combativas coortes e com o temível arsenal de que dispomos não podemos mais nos acomodar…

Paulo Roberto Brandão da Motta

superavitsprevi.wordpress.com

  1. #1 por Carlos em outubro 30, 2010 - 12:19 pm

    Prezado amigo, se todos dizemos que a tal Resolução “Pimentel” é ilegitima, e qualquer estudante de vestibular para direito sabe que ela fere de morte o principio constitucional da hierarquia das leis, por que ficamos só no “tro ló ló”(p/ lembrar um ex-presidente que deveria estar escondido nas mais profundas masmorras), e não vamos à Justiça, pedir que seja decretada a sua flagrante inconstitucionalide?
    Se o tal dr. Waldemar entende que o bb (com letra minuscula mesmo) tem direito, que esse direito seja reivindicado de forma legal, e da maneira como vem sendo feito.
    Certamente um pedido de inconstitucionalidade da tal resolução “pimentel” seria acatado de pronto pelo STF. Por que essa indignação não passe p/o campo prático?
    Gostaria que alguem me respondesse.

  2. #2 por russel furtado dos santos em outubro 30, 2010 - 2:20 pm

    ALÔ GRANDE PAULO:

    O seu texto, a sua posição calcada em elementos fácticos, a sua indignação santa, a sua reflexão sábia, são para mim ingredientes de orgulho por estar na mesma trincheira, onde se luta para que os direitos não sejam usurpados. Devemos estar convictos que toda essa OPERAÇÃO DE TENTATIVA DE APROPRIAÇÃO ESPÚRIA DE NOSSO SUPERAVIT, foi minuciosa e criteriosamente elaborada dentro de padrões maquiavélicos que remonta a 2008. No inicio daquele ano a Revista Previ publicou uma reportagem com o Ricardo Pena da SPC, sobre a criação da Previc que iria substituir a referida SPC. Nas entrelinhas, denotava-se CLARAMENTE a formação de instrumento para prejudicar os associados da Previ. Não deu outra: meses após, publicou-se a Resolução 26. Após a norma editada, o BB inflou o seu balanço COM O NOSSO DINHEIRO e partiu para a execução do PLANO DE GLOBALIZAÇÃO DO BB, COM O DINHEIRO DOS CABEÇAS BRANCAS. Então, adquiriu o Banco Votorantin com o argumento de estar adquirindo um nicho especializado em financiamento de veiculos. Para o GRUPO VOTORANTIN foi excelente negócio. Primeiro. continuou detendo parte importante do BV, com a parceria “sem custos” da capilaridade de agências e o potencial da marca BB. Por coincidência, meses após, a midia registrou que o GV adquiriu a maior cimenteira de Portugal. Então, fez-se assim porque os ASSOCIADOS DA PREVI SÃO INGÊNUOS!!! Em sequência, adquiriu-se a Nossa Caixa, porque os ASSOCIADOS DA PREVI SÃO ACOMODADOS!!!! Prosseguindo, adquiriu o Banco da Patagônia, porque os ASSOCIADOS DA PREVI SÃO ACOMODADOS E INGÊNUOS!!!!! Portanto, quando um lado acredita que está tudo dominado, resta sómente a MOBILIZAÇÃO. Primeiro, a MOBILIZAÇÃO PRAGMÁTICA: uso das regras éticas,legais,instrumentos de lei,esgotamentos de instâncias previstas em lei NUNCA ABDICANDO DE DIREITOS. Segundo, a MOBILIZAÇÃO FISICA: vamos todos os velhinhos para o MOURISCO!!!! Nós pertencemos a uma idade que falamos o que queremos!!! Passamos a vida filtrando o errado e praticando o certo. Por isso, temos o direito de voz!!!! Vamos acampar na praia de Botafogo e observar o sol nascer com uma decisão imorredoura: SOMOS ESPECIAIS, PORQUE FIZEMOS CONCURSO PÚBLICO E NÃO DEVEMOS NADA A NINGUÉM!!! SOMOS ESPECIAIS PORQUE ESTAMOS LUTANDO CONTRA ABRIR PRECEDENTES LESIVOS À LEI,AO CIDADÃO, AO BEM COMUM, E PRINCIPALMENTE A UM PAIS DEMOCRÁTICO.

    Saudações,

    Russel Furtado dos Santos

    PS.: Caso queira, pode disseminar minha mensagem por todos os cantos

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