Arquivo de novembro \23\-03:00 2010

Uma Historinha Sem Graça

À ATENÇÃO DOS PODEROSOS…

Gostaria que estas palavras chegassem aos atuais senhores do poder, no País, no Banco do Brasil e na Previ.

Sempre fomos vistos como bons servidores de uma grande empresa que foi para nós uma excelente escola de contabilidade, administração e direito. Embranquecemos nossas cabeças, ajudando a construir, tanto do ângulo moral quanto do ponto de vista econômico-financeiro, esses colossais empreendimentos que são hoje o BANCO DO BRASIL e a PREVI,

Outras empresas e outros profissionais podem ter nos igualado, e até superado, em diversos aspectos; mas cumprimos nossa missão e não podemos nos calar diante do descaso por direitos nossos, adquiridos através da estrita observação da letra da Lei. Não é possível renunciar a isso, sem ofendermos nossa própria consciência, porque foi justo nas instruções da direção do Banco que fortalecemos nossos conceitos de obediência às regras do bom desempenho profissional.

Contudo, um clamor indignado se agita e cresce hoje na alma conjunta dos aposentados da PREVI. Cansados da batalha da vida, acordamos agora para protestar com força contra a imposição de resoluções polêmicas em cima de leis e estatutos límpidos, como vêm afirmando homens de notável saber jurídico, advogados ou não.

Não é um bando de irresponsáveis que se insurge agora contra o que vem ocorrendo em relação aos superávits da PREVI. Este blog pretendeu dar um nome a esse movimento: “A GUERRA DOS CABEÇAS BRANCAS”. O presidente da AAPREVI, MARCOS CORDEIRO DE ANDRADE, alertou sobre a inconveniência de nomearmos assim um movimento que não se pretende beligerante. Correto. A nenhum de nós agrada a idéia de ir à guerra contra o patrocinador de nossa caixa de previdência, em busca de direitos ameaçados, em pleno tempo do primado das democracias.

Ninguém deve perder a serenidade no trato de uma questão complicada como essa. Mas é também verdade que a situação assume as características de uma formidável batalha que não nasceu da vontade dos aposentados, a parte notoriamente ofendida e lesada. Ex-funcionários capacitados, juristas, economistas, vêm denunciando irregularidades constantes na construção desse processo autoritário de distribuição das sobras de caixa da Previ. A responsabilidade por esse estado de insurreição só pode ser debitada aos três gigantes opressores que não admitem entendimentos democráticos, transparentes, justos. Afinal de contas, a parte prejudicada entende de contabilidade e sabe em que coluna efetuar o lançamento correto…

Embora pertença também ao grupo que se julga desrespeitado em seus direitos, o autor deste texto vem procurando observar o cenário com toda isenção possível. Infelizmente, no entanto,  não lhe tem sido possível compreender a atitude do Banco e da Previ. Estamos acostumados à história, desde os tempos da CONTA MOVIMENTO, da extração da SUPERINTENDÊNCIA DA MOEDA E DO CRÉDITO (SUMOC) para formação do BANCO CENTRAL; da tentativa de sucateamento do BANCO DO BRASIL, pelos privatistas; das manobras de porão para envol-vimento da PREVI no consórcio preferido pelos detestáveis da República, na questão da VALE. Sempre foram razões de governo. Nunca de estado. Os governos sempre intentaram fazer uso político do Banco. Os funcionários sempre protestaram, sempre reagiram às intenções de desvio dos propósitos fundamentais da Instituição.

O que se consegue perceber, nessa possibilidade de observação imparcial dos fatos? Ora, o Banco, dito patrocinador, embora já agora patrocinado, deve ser também, acima de tudo, o grande pacificador das divergências internas que nos atormentam. Com extrema inteligência e sabedoria superior, assim se comportava a Direção Geral, nos bons tempos em que se preocupava principalmente com o fomento das atividades agroindustriais, com a distribuição da riqueza nacional, com a geração de oportunidades para empreendedores e, também, para seus funcionários, e não apenas com o lucro, a qualquer custo.

Naquele tempo, privilegiava-se o profissional mais antigo, experiente. A instituição era firme, sólida, acreditada. Errávamos, também. Não sabíamos atender bem à clientela, é verdade; mas a força moral da empresa sobrepunha-se a tudo. Com os ventos do liberalismo político-econômico, o Banco começou a valorizar os servidores mais novos e a encostar os mais antigos. Provavelmente, teve início aí uma ruptura, ou um distanciamento, entre as duas gerações de funcionários, até que, nos dias de hoje, os cabeças brancas chegam a se sentir como o lixo descartável de que o Banco simplesmente quer se ver livre. Contraditoriamente, o atual governo, de onde emana essa política sagaz e deletéria, não percebe que, aos poucos, vai se entregando à voracidade dos que torcem pelo desmantelamento da Instituição, para oferecê-la ao capital privado… a preço de banana.

O Banco erra lamentavelmente, nessa política impositiva e divisionista, calcada na força de seu gigantismo. Golias se deu mal. Aquiles também tem calcanhar. “Todo reino dividido contra si mesmo não subsiste”. Os aposentados começam a falar em direcionar seus interesses para outros bancos. Associações que já não privam da confiança de seus associados poderão assistir a uma grande debandada para outra entidade mais capaz de traduzir melhor as expectativas dos insatisfeitos. O GRITO DOS CABEÇAS BRANCAS já não tarda em se espalhar pela Internet (blogs, twiter e orkut) e chegar até as lideranças do sistema financeiro internacional. Não demora, e também entrará no assunto a grande imprensa, privatista por excelência e que nunca morreu de amores pelo Banco.

E o que faz o Banco? Simplesmente exige o cumprimento da Resolução 026 e se fecha em um mutismo incompreensível! Ora, instituições fechadas, autoritárias, geram desconfiança. Como então não compreender o estado geral de indignação que se instalou entre os que se julgam prejudicados? Por que razão não merecemos informações detalhadas e explicações claras? Há como falar em negociação sem exibição prévia dos números que caberiam aos assistidos? Se o patrocinador deseja reter para si, metade do superavit, aos associados deve ser proposta, igualmente, e no mínimo, a metade do direito que têm.  Mais 20%, apenas, parece longe disso!  E por que não um teto, que deveria ter existido desde a concessão do Renda Certa, para limitar dentro dos recursos disponíveis os valores a serem retornados tanto aos assistidos como ao Banco? Passando por cima de tudo isso, Governo, Banco e Previ não estarão promovendo uma cizânia e uma consequente indigestão nos próprios intestinos? Quando, e onde mais, neste planeta, é possível desrespeitar homens de cabeça branca que apenas reivindicam direitos amplamente julgados legítimos? Um desarranjo de tal porte, não abalaria a grande construção moral e econômico-financeira que devemos todos preservar e fazer crescer?  Estaríamos então assistindo aos primeiros movimentos de desmanche de um imenso sistema bancário que vai se firmando como um dos maiores do planeta?

É sempre sob os escombros da ganância que sucumbem os grandes impérios…

Senhores do poder, não subestimem a capacidade de reação dos aposentados da PREVI – e de seus dependentes, que acabarão entrando na luta, com a força de sua juventude, inteligente e hábil no manejo dos canais eletrônicos de informação. Não se esqueçam também da força da língua da imprensa. Ainda há tempo de fazer alguma coisa para evitar o pior? Então, é melhor  fazer…

PAULO MOTTA

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