Arquivo de março \09\-03:00 2011

A SÍNDROME DOS GIGANTES

A SÍNDROME DOS GIGANTES

PRELÚDIO

Verão de 1967. Agência BB Santa Maria do Suaçuí (MG). O responsável pela limpeza dos sanitários já não faxina o recinto, não cuida da troca diária do material usado, não retira a poeira e assim por diante. Os funcionários vão deixando a coisa acontecer e atirando papel higiênico pra todo lado. O lugar vai ficando um horror só. Um dia, no espelho, está gravada esta frase, tão válida e atual quanto o Axioma de Lavoisier e o Teorema de Pitágoras:

“NADA TEM MAIS ADEPTOS DO QUE UMA ESCULHAMBAÇÃO…”

Peço desculpas pelo mal humor de hoje. Sempre procuro ser tolerante e compreensivo com meus adversários, detratores e inimigos, se os tenho, porque sempre acreditei que, tanto quanto eu, também eles tem lá suas razões. Mas essa historinha de hoje é sobre um fato que bateu a paciência, talvez em face das vivências parecidas que nos têm perturbado a todos nós, aposentados e pensionistas, detentores de direitos desrespeitados, ignorados, pisados e esculhambados.

Não somente o Governo, o Banco, a Previ e a Anabb, nossos conhecidos e destemidos cíclopes dormem seu sono profundo de completo alheamento aos problemas que afligem àqueles a quem deveriam dispensar seus melhores cuidados. Há outros colossos sonolentos soltos no pedaço.

Dizer que o Governo do PT muito tem feito pelo povo não é reproduzir uma verdade integral. O que seus programas assistencialistas fazem, embora tenha melhorado a vida de muitos, é verdade, equivale àquelas migalhas que sobram para os cães, sob as mesas fartas dos comensais de cima – um aparte para lembrar que o Governo PSDB era pior. Os governos, na verdade, fazem muito é por si mesmos. Também já estive no poder executivo e sei como é a vida do outro lado do balcão de compra e venda de votos, de onde me evadi por não tolerar o mau cheiro das consciências de boa parte dos circunstantes. Para se ter uma idéia do quadro, basta vermos o oceano de escândalos que inunda o cenário político nacional, em que só vemos más notícias para compensação dos impostos que pagamos, enquanto os parlamentares seguem tranquilamente aumentando seus salários em percentuais inimagináveis para os trabalhadores. Basta também lermos as informações veiculadas pela mídia sobre o montante, em bilhões, que a corrupção consome neste estranho lugar que De Gaulle disse não ser um país sério. Na realidade, o general falou demais. Não precisava da palavra sério…

O Banco, bem, o Banco não sabemos mais aonde quer chegar em seu gigantismo crescente, ao que tudo indica à custa também de nutrientes estranhos àquela que deveria ser sua tradicional, única e recomendada dieta: o lucro gerado pela competência de seus administradores e funcionários, e não as sobras de caixa de nosso fundo de pensão.

A Previ, essa das flores e das rosas, tão crescida e ajardinada, já não mais enxerga cá em baixo, onde se arrastam supostos assistidos seus, aposentados e pensionistas abandonados, muitos, a degradantes benefícios mensais pingados em suas contas correntes.

A Anabb, outra gigante milionária, não serve a seus pequenos componentes, senão ao grande patrão, como rezam os próprios estatutos daquela entidade, e como é hoje voz geral entre funcionários ativos e aposentados E agora me aparece uma tal de HP – Hewlett-Packard, gigante do mundo das impressoras, em seu profundo sono letárgico de total desrespeito a seus clientes, para atormentar meus dias de pequeno empresário.

Guardem bem o nome: HP – HEWLETT-PACKARD. Bonito, não? Aportou aqui no Brasil, originária não sei bem de onde e montou uma curiosa e muito eficiente forma de zombar de seus clientes, embora saiba de fato produzir equipamentos de alto nível. Vendeu-me uma impressora no valor de R$ 885,00 (pagos antecipadamente) modelo PROFESSIONAL, em dezembro de 2010, que aqui chegou esparramando tinta pra todo lado. Comunicamos o fato imediamente à vendedora, que nos pediu 48 horas para tomar uma providência. Dai até hoje, foram cerca de uma dezena de telefonemas, invariavelmente respondidos da mesma forma, depois de largo tempo, por seus robôs treinados e seus discursos decorados: “Senhor, obrigado, por esperar. Realmente, em sua ficha consta um atraso no atendimento a sua reclamação. Dentro de 48 horas, você receberá um ticket autorizando a remessa do equipamento via correios…blá, blá, blá e blá, blá, blá…” e nada de ticket, depois de 100, 120, 150, 200, 300 horas. Nossos pedidos para falar com algum supervisor ou gerente são prontamente descartados. As excelências não atendem clientes mortais. Engraçado, sou o administrador de minha loja e falo tranquilamente com os atendentes da HP, sem nenhum complexo de superioridade. O Departamento de Vendas da gigante diz que nada pode fazer, mesmo diante da informação, educadamente anunciada, de que não nos resta senão processar a empresa e divulgar pra toda parte, com engenho e arte, se possível, a suprema incompetência e o extremo descaso da HP.

É a síndrome dos gigantes. Aquela mesma que atacou Mubarak, lá no longe egito. É o virus do poder exagerado, da grandeza sem limites que o capitalismo permite, aquele que obceca, seda e cega os grandes e poderosos. Isso sempre existiu por aí. Mas, atualmente, parece, o mal em causa assume ares de pandemia. Vale a pena ler Eduardo Galeano, “Patas Arriba” (La Escuela del Mundo ao Revés – Mãos ao alto! (A Escola do Mundo ao Contrário)”, para se ver até que ponto os gigantes já dominaram o planeta, e o público pagante quase nenhuma consciência tem de seus estragos no mundo.

A espiritualidade tem dito que está chegando o fim do reinado dos grandalhões. Mas o mundo capitalista dos poderosos – não por ser capitalista, fosse comunista da mesma forma se comportaria – nunca teve tempo nem interesse algum pelos assuntos transcendentais e não têm a menor consciência de que podem estar com os dias contados, se permanecerem trabalhando para construir essas estruturas de injustiças e desigualdades em que vêm se deliciando do alto das imensas fortunas e dos gigantescos poderes que acumularam em cima da ingenuidade dos povos.

Meus amigos, se não quiserem passar raiva, muita raiva mesmo (!), não adquiram produtos HP. São muito bons enquanto não apresentam defeitos. Se isso ocorrer, podem jogar no lixo. Ninguém lá vai querer saber de vocês, principalmente se o equipamento adquirido estiver dentro do tempo de garantia.

Não tem jeito. Nem com muita reza braba a coisa funciona. Vamos ver se a justiça consegue. Quero R$ 9.000,00 de indenização, pelo lucro cessante e depesas incessantes de três meses. As encomendas se desfizeram. As aranhas se divertem em cima dos pedidos. O produto se auto-intitula PROFESSIONAL…

Procurei meu advogado para instruir uma ação contra a HP – a coisa se chama ATERMAÇÃO. É gratuita. O nobre, jovem e competente Dr. Ricardo, meu amigo particular, falou-me assim: Que bom! Estamos juntos. Também estou aqui preparando minha documentação contra a HP, pelo mesmo motivo: “meu equipamento novo não funciona, o ticket não chega, os serviços acumulam, a raiva aumenta…”, e por aí afora…

Isso não é um assunto de interesse apenas pessoal, como pode parecer. Todos nós estamos expostos ao ataque dessas enfermidades que vêm se tornando cada vez mais agressivas nos tempos modernos.

Mega-empresas-modelo, como o Banco do Brasil, e instâncias de lei superiores, como os tribunais , não podem ser contaminados pelo vírus da desordem, para que nós, cidadãos comuns, como nos chamam, possamos acreditar na boa intenção das cúpulas administrativas das grandes instituições e na blindagem moral dos homens que conseguem chegar ao topo da ordem jurídica de uma nação.

Como discípulo da Velhinha de Taubaté (alguém se lembra da figura?), gostaria de permanecer descansando na santa ingenuidade daqueles que se recusam a abrir os olhos e mirar o pântano em que o mundo moderno começa a mergulhar. O Problema é que artigos contundentes como esses do Marcos Cordeiro, “A MALDIÇÃO DE SAUÍPE” e “ASSÉDIO DO MAL”, não nos deixa mais dormir em paz o sagrado sono dos que não querem saber de nada. Outro problema também é que acabamos descobrindo que somos dos que querem e preciam saber. E as palavras de Marcos lembram a voz de Cristo, nas escadarias do Templo daqueloutro Salomão, denunciando as transgressões dos magistrados de Israel de então.

A versão digital gratuita do livro JHASSUA (Rássua), o Cristo Censurado, que conta essas histórias, sem a tesoura dos poderosos, estará à disposição, dentro de alguns dias, neste blog, e, por gentileza de nosso líder, no previplano1.com.br.

Gostaria de dizer aos meritíssimos juízes e aos senhores dirigentes de nossas instituições superavitárias, com todo respeito, que, embora figure entre os escribas menores, e não tenham meus textos repercussão significativa, passo boa parte de meus dias a escrever e, tivesse de citá-los, preferiria fazê-lo sempre enaltecendo os bons exemplos e as sábias decisões que deles todos nós esperamos. Mas… infelizmente, segundo o que corre pelos blogs e começa a brotar também na grande imprensa, isso tem ficado realmente bem difícil!…

Para satisfação de todos nós, de um lado e do outro, senhores Juízes e Dirigentes, por favor façam alguma coisa realmente inteligente e boa para acabar com essa pendenga.

Paz! Muita paz de consciência, para que esses homens que cresceram muito possam continuar vendo os pequenos se debatendo lá em baixo.

Paulo Motta.

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A PRÓXIMA BATALHA

A PRÓXIMA BATALHA

Embora restrinja seu poder financeiro, a atitude da AAPREVI de não cogitar em aumentar a mensalidade nem, tampouco, realizar campanhas de arrecadação, é um dos grandes pilares da imensa credibilidade de que desfruta nossa associação.

Aí está uma inovação altamente positiva, que distingue a Entidade e seus dirigentes de outras que conhecemos, tradicionalmente dominadas pelo apetite de lucros e ganhos diversos, a qualquer custo. Essa postura, aliada à solidez moral de seus diretores e ao verbo certeiro e demolidor de nosso presidente consolidaram plenamente a confiança dos aposentados.

O que a AAPREVI já fez por nós vale muito mais que o pouco ou nada já fizeram a ANABB e nossos representantes-vírgula-quarenta-e-quatro-mil-por-mês. Trabalhar para o crescimento da AAPREVI não é a próxima batalha. É uma luta constante. Faça pois parte do dia-a-dia de nossas atividades. A AAPREVI é nosso grão de mostarda, a pequena semente que crescerá até que nossas frontes encanecidas possam conhecer a sombra da grande árvore que estamos plantando.

As manifestações públicas serão sempre novas batalhas, se necessárias. Mas também não são ainda a próxima. O panelaço, se o considerarmos não como um protesto barulhento para sensibilizar a sociedade, senão como o envio de uma embaixada de alto nível, credenciada sem protocolos nem burocracias, para adentrar, em nosso nome, a fortaleza de ouro da previdência imprevidente, se assim pensarmos, então, o evento foi, de fato, uma operação muito bem sucedida. O fundamental era anunciar ao Templo, face a face, que possuímos hoje nítida e sólida consciência de sermos os reais proprietários do tesouro acumulado lá dentro.

E isso aconteceu.

Quem não viu assim convém fazer uma nova leitura da situação criada, porque ainda poderemos precisar de mais alguma missão dirigida ao centro da toca dos gigantes – Brasília. Fora de nosso território, cuidado redobrado, que, como aqui dentro os sasserons, pululam na mídia espécies francamente desafetas nossas.

Entre os muitos bons profissionais de imprensa, existem aqueles que parecem escrever e falar apenas para satisfazer o grande público, como as mírians-leitão da vida, e não mergulham nas águas mais profundas das verdades que lhes não interessam. No passado, essa gente já despertou boa parcela da sociedade contra o Banco e seus funcionários ativos. Poderiam se sensibilizar com nossa causa? Nem todos, convenhamos.

Atendamos à voz da razão, eficaz e necessária, em alternância com os momentos de explosão emocional e os xingamentos incontidos. É um fato que tanto Marcos como João Rossi, Holbein e Russel, para falar apenas de alguns de nossos maiores, às vezes parecem jogar pesado com as instituições aposentadófobas que nos desrespeitam e iludem. No entanto, não se acordam gigantes com fala mansa e palavras delicadas. Somente o grosso rugir das feras chega a seus indiferentes ouvidos. Mas isso não significa dizer que somos apenas gritos e petardos. No panelaço, mostramos nossa capacidade de diálogo. Essa versatilidade, essa faculdade de passar do boxe verbal à diplomacia refinada, bem caracteriza nossos experientes aposentados, que aprenderam a enfrentar situações difíceis, no balcão de negócios bancários, por longos e longos anos dedicados ao crescimento do Patrocinador de nosso fundo de pensão.

E aqui, é bom voltar a perguntar: quem patrocina quem, nessa história do Superavit? Não é a Previ que hoje patrocina o Banco? Não somos nós que sempre patrocinamos a Previ?

E quem acha que bancário deve ganhar mal não tem noção da agilidade mental e da capacidade de decisão correta e rápida que se necessita desenvolver nessa injustiçada profissão. Diferentes, é claro, são nossos próprios representantes e diretores, que embora conheçam o valor profissional e ético do corpo funcional do Banco, insistem também em transformá-lo em capital humano inconsciente e escravizado, como se ainda fosse possível essa façanha em tempos de internet e de farta veiculação de informações. E menor idéia fazem nossos detratores lá de fora do desgaste e da tensão que esse acionamento diário e acelerado dos neurónios provoca nos profissionais do ramo. E menos consciência muita gente tem, ainda, de que merecemos aposentar-nos com dignidade e ter nossos direitos respeitados, como, de resto, disso carecem todos que dedicam dezenas de anos à existência e ao crescimento da empresa a que servem.

Este espaço é diferente dos demais blogs, mais especializados em informação atualizada, aqui o objetivo maior é a reflexão, a partir de tudo que tem sido possível beber na taça de sabedoria e conhecimento de nosso líder e de nossos bons comentaristas.

É verdade que incenso demais atrapalha e homens sérios como Marcos, João Rossi, Edgardo, Juarez Barbosa, Russel, Aristophanes, Holbein e outros, não precisam de muitos elogios para adquirir e preservar nítida noção de suas capacidades. Nunca é demais lembrar, no entanto, que nossos líderes, porta-vozes e conselheiros, embora saibam fazer seu trabalho, quando acertam o alvo com precisão, em magníficas estocadas, não podemos deixar de expressar nossa admiração por esses que têm se revelado heróicos combatentes e verdadeiros blindados morais, nesta formidável GUERRA DOS CABEÇAS BRANCAS.

Talvez aqui, Marcos, você venha puxar minha orelha, por voltar a chamar de guerra o maravilhoso movimento por você desencadeado e que, a rigor e de pleno direito, somente você pode nomear como bem queira. À vontade, Comandante. Sou um simples soldado voluntário em seu extraordinário exército de funcionários formados em ética, direito, administração, contabilidade, organização e métodos, na excelente Universidade que, no passado, sempre foi o Banco do Brasil. Infelizmente, porém, não vejo palavra melhor para qualificar essa explosão de inconformismo que hoje agita esses homens e mulheres valentes, cujo prazo de validade muita gente considerava vencido e, no entanto, levantam agora a admirável arma da desobediência civil diante desses inaceitáveis atentados a seu patrimônio.

É você, Marcos, o líder tão esperado e respeitado pelos desassistidos de Nossa Senhora da Caixa-Preta, para a qual pouco adianta rezar, mas muito vale mostrar nossa força. Não procuramos vencidos nem vencedores. Queremos somente direitos. Afinal, somos inequivocamente do bem. Estamos apenas injuriados com as vazantes que se multiplicaram na caixa-forte de nosso patrimônio e pretendemos inaugurar um novo conceito e um novo sistema de administração previdenciária, centrado na transparência, na solidariedade e na intenção pura.

Perdemos algumas batalhas, como alertou em um de seus textos nosso futuro presidente da PREVI (“benza, ó Deus!”), mas já vencemos outras e vamos sim ganhar esta guerra. Não tenho autorização para dizer o que disse e talvez venha aí outro puxão de orelha. Ocorre, porém, que vai ficando cada vez mais difícil segurar esse sonho lá no centro de discrição de cada um de nós. E fiquem todos tranquilos. Não tripudiaremos sobre os vencidos. A verdadeira vitória do homem há que ser em todos os sentidos, inclusive sobre si mesmo, proclamando a idéia do bem, da tolerância e da solidariedade universal acima de tudo.

Não há próxima batalha. Todas são lutas incessantes. Não haja trégua em nenhuma delas. A Ação de Inconstitucionalidade, o realinhamento do Plano 1, as eleições na Previ. Existe, sim, ao tempo de cada uma, aquela em que devemos fazer carga máxima. Seria, por exemplo, esta, agora, de levar o Marcos e o João Rossi à mesa de negociações – se eles se dispusessem, é claro – contornando, se é possível, as exigências do Memorando de Desentendimento. Como conseguir isso? Não sei. Sem eles, os poderosos vão nos massacrar novamente. Talvez a Federação de nossas associações possa e queira fazer alguma coisa.

Não há próxima batalha para nós. Todas são atuais. Não podemos nos distrair com nenhuma, pois que, enquanto desviamos nossa atenção de alguma, os gigantes estão lá, acordados sempre, imaginando novas estratégias de combate contra nossos direitos.

Paulo Motta.

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