010511

BEREMIZ, O HOMEM QUE CALCULAVA (MALBA TAHAN).

(Reproduzido de memória. Algum aspecto pode não corresponder exatamente à narrativa original)

Atravessando o deserto, Beremiz, gênio matemático capaz de fantásticas proezas com os números, encontra mais uma situação problemática em uma aldeia: repartir certo número de camelos entre herdeiros com direitos em testamento que ultrapassam a quantidade de animais existentes. Falta um, para que a divisão seja exata, que nenhum deles aceita partir um camelo ao meio, é claro. Para espanto de seu acompanhante (ambos viajando sob sol causticante, em um só animal, cansadíssimo), Beremiz doa seu próprio camelo ao espólio, acrescentando-o ao patrimônio dos irmãos. Promove assim a divisão, nas proporções determinadas, e cada um recebe meio camelo a mais, completando suas metades impossíveis. Sobram, então, dois animais, que os herdeiros, antes em pé-de-guerra, agora presenteiam aos viageiros para continuarem comodamente seu caminho, cada um em sua própria montaria…

Toda essa nossa guerra do superavit poderia terminar, da mesma forma, em um grande acordo que satisfaça a todos, se tocada com calma, boa intenção e inteligência.

Que o espírito de Beremiz baixe sobre as consciências de todos aqueles que se assentarão à esperada mesa de maio e, independentemente da instrução que tenham de seus maiores, pelo menos por um momento entendam que já é hora de se permitirem alguma idéia para reduzir esta tensão interna que instabiliza nossa grande família bancária.

Fazer algo, é preciso. Contudo, uma feitura de fato, é o de que aqui se fala. E, aos conferencistas, pedem os insatisfeitos do Plano de Benefícios 1 que dialoguem com seus senhores e lhes façam ver que vale a pena procurar uma forma de minimizar essas consequências negativas de políticas equivocadas e responsáveis por esse quadro dramático de hoje.

E não é demasiado forte quanto parece o adjetivo que colore esse desenho, na frase anterior. É gritante, o problema das pensionistas e de vários funcionários aposentados,.

As inteligências do BANCO e da PREVI têm magnitude suficiente para propor um plano de significativa recuperação dos benefícios, mantendo alguma compensação para o Patrocinador e, quem sabe, talvez ainda sobrar alguns camelos para compor novas reservas ou corrigir outras defasagens esquecidas.

Isto não precisaria ser colocado em tom de rebeldia. Nossa inteligência é uma só. Trabalhamos para a mesma empresa por trinta anos. Não importa, se isso aconteceu exatamente ao mesmo tempo, durante os mesmos anos. E se nos julgamos capazes de uma façanha de tal porte, entendemos também que os representantes ditos dos assistidos e os do Patrocinador detêm amplas possibilidades de fazer luzir essa invulgar inteligência e propor algo que não reproduza o ambiente penumbral das questões do Renda Certa e da Resolução 026.

Embora do lado dos assistidos alguns mestres sejam lúcidos defensores de que o superavit não pode ser dividido com o Banco, talvez surja um momento de refletir se não é melhor conceder os anéis para não perder os dedos. E a adoção dessa atitude vale também para o lado do Patrocinador (Governo por cima); sempre lembrando, porém, que, entre outras razões que seriam obviamente alegadas, à vista da expressão entre parênteses a discussão de uma hipótese que contemple uma alteração para menos nos percentuais do Patrocinador não tem chance de ser permitida à mesa. Do lado de lá, estarão todos cumprindo ordens. Somente nos tribunais isso poderá ser analisado, se lá chegar a contenda.

Brevemente, pretendo dizer alguma coisa nesse sentido. Mas… se isso tiver cheiro de entreguismo, já não estará mais aqui quem vai falar.

Hay que endurecerse; pero…” sem perder a flexibilidade de cintura? É verdade que se os argumentos do João Rossi convencerem os salomões, será possível uma redistribuição pra ninguém botar defeito. E se os mais experientes, não recomendam um amolecimento, seja pois ouvido quem melhor entende. Mas o jogo é tão complexo que me confesso portador de imunodeficiência contra certas inconveniências de uma negociação, caso tropecemos em algum obstáculo de difícil superação, depois de uma discussão cansativa. Sei lá! Tudo pode acontecer. No entanto, primeiro a batalha.

Assim, nosso caro Beremiz, veja como é complicado o caso, e como os participantes da PREVI necessitam de sua ajuda! Esqueça que, desencarnado há séculos, hoje você está mais para ficção de uma mente criativa e desça em espírito sobre as consciências dos realinhadores do Plano 1. Capriche na inspiração e passe-lhes uma idéia satisfatória para ambos os lados, que reduza substancialmente essa nossa sofrida tensão familiar ou acabe de vez com essa pendenga.

É claro que isso é uma ilusão. Não há expectativa real de que vá sair alguma coisa realmente boa para o lado mais fraco da corda, neste maio pouco promissor. Mas não custa nada acreditar em milagres, pelo menos durante alguns dias…

Paulo Motta

  1. #1 por Maria Helena G Leal em maio 2, 2011 - 12:49 am

    O Marcos é um grande guerreiro. Não sei como ele encontra tanta força e determinação. Com certeza está sobre ele os anjos. Que Deus o proteja sempre. O Rossi , é outro lutador e imbativél. Na AAPPREVI só tem gigantes .

    Parabéns Paulo, e muito obrigada por nos ajudar. Eu sei da sua admiração, não só por nosso amigo Marcos, mas por todos da AAPPREVI.

    Só para nós aqui: como é torturante aguentar essa chapa 3…

    Continue Paulo, por favor. Você é por demais importante nessa luta . Abraço.

    Lena.

  2. #2 por elvira em maio 2, 2011 - 7:27 pm

    Paulo, todos vocês que permanecem nesta luta contÍnua ,escrevendo, esclarecendo,
    merecem toda a nossa consideração.
    Vamos aguardar, e pedir aos céus pela negociação.
    Abraços

  3. #3 por Elias em maio 2, 2011 - 8:23 pm

    Grande Paulo, admiro Malba Tahan e muitas mentes brilhantes que passaram pelo Banco, aí incluo Você, a Turma da AAPPREVI e mais alguns. Penso que a solução seria muito fácil se o Patrocinador se contentasse com os anéis, mas Ele já levou até os dedos. E, se não bastasse, quer o braço também. Veja só, se o banco se desse por satisfeito com os milhões de reais economizados pela suspensão das contribuições tudo estaria resolvido. Mas milhões é pouco e Ele que Bilhões. Mas só bilhões é pouco, Na verdade Ele quer dezenas de bilhões. Assim meu caro não vejo uma saída para evitar a “guerra das bengalas”.

  4. #4 por Paulo Motta em maio 2, 2011 - 11:03 pm

    Lena, Elvira e Elias,

    Obrigado, pela importância que me dão. Na verdade, somos todos importantes. Às vezes, lamento que alguns de nós não conseguem se entender uns com os outros, como as células de nossos corpos, que jamais se confrontam e trabalham todas pela saúde do organismo, conscientes da imensa importância de cada uma delas para o perfeito equilíbrio do sistema que compõem. Mas é assim mesmo, a harmonia do trabalho celular ocorre porque elas, nossas células, encontram-se em um estágio de desenvolvimento muito superior ao de nossas mentes. Enquanto elas, depois de imensas idades já definiram seu objetivo comum a todas, que a manutenção da vida, nós ainda temos de atravessar o território controverso da democracia, onde as opiniões mais opostas têm permissão para se encontrar de frente. Também temos um próposito único referente a todos nós. É aí que surge a idéia do deus único das religiões monoteístas. E o deus único é o Deus-amor. No dia em que aprendermos a amar realmente nossos semelhantes como a nós mesmos estaremos todos trabalhando pela mesma causa e jamais vamos nos desentender.

    Elias, chamei nossa luta de GUERRA DOS CABEÇAS BRANCAS. Mas GUERRA DAS BENGALAS É ÓTIMO! Uma bengalada aqui e ali ainda vai ensinar esses meninos a administrar nossas instituições com isenção, inegoísmo e espírito de justiça.

    Um abraço amigo,

    Paulo Motta.

  5. #5 por Marcos Cordeiro de Andrade em maio 15, 2011 - 9:11 am

    Comentário postado no Blog da Cecília Garcez:

    Cara Cecília,

    Para alicerçar suas palavras, por que não interagir com os outros blogs? Enquanto havia somente este espaço que você domina tão bem, o acesso não era seletivo, nem ninguém se furtava em comparecer com críticas construtivas e aportes oportunos. Mas, depois que outros a seguiram foram criados compartimentos estanques onde imperam as vaidades. E os atritos são corriqueiros. Temos hoje cerca de meia dúzia de seus seguidores que atuam isoladamente e poucos deles se comunicam e se auxiliam. As raras exceções ficam por conta do Paulo Motta e do Juarez Barbosa, que unem suas vozes à minha. É difícil até encontrar quem fale um do outro com bons modos – que indiquem suas leituras e que se apóiem mutuamente. É comum até evitarem-se citações nominais, como se inimigos fossem em luta constante. Normalmente o que se vê são indicações como: “o outro Blog”, “aquele Blog”, “o Blog do doutor”, ”o Blog da bruxa”, e por aí afora.
    Muito se fala na desunião existente entre as associações, assim como entre os participantes do PB1. Todavia, enquanto não houver união entre esses formadores de opinião não haverá união maior, mais ampla. Continuaremos vendo seus caminhos sem se cruzar. E os dependentes do PB1 permanecerão semi-órfãos.
    Creio que você, como responsável pelo início de tudo, pelo menos eu assim reconheço, pode contribuir para uma mudança radical desse desinteressante panorama existente.
    No que couber, terá o meu humilde apoio.

    Atenciosamente,

    Marcos Cordeiro de Andrade
    Blog Previ Plano 1

    14 de maio de 2011 23:01

  6. #6 por claudia oliveira em maio 19, 2011 - 11:56 am

    Caro Paulo Motta,

    Estamos falando demais. Não estamos fazendo nada. É preciso ação. O banco confia em que os velhinhos de cabeça branca se aquietem depois de alguns resmungos. Temos que provar que isso não é verdade. Que ainda há muito por que se lutar na nossa idade.
    Um abraço
    Claudia

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