300611

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E-MAIL RECEBIDO:

“Palocci, expulso de restaurante em São Paulo!!!


Como as instituições não merecem confiança, o povo reage à
altura e toma as medidas necessárias.

Antonio Palocci, ilustre sanitarista e economista, confundindo esse
curso superior com tráfico de influência junto ao PT, juntamente com
familiares e amigos foram jantar, no último final de semana, em
conhecido restaurante no bairro de V. Olimpia (R. Fidencio Ramos, 15),
aqui na capital paulista, chamado Empório Ravioli.
Os demais comensais presentes começaram a reagir timidamente com a
presença do espertalhão petista e, de mesa em mesa, vieram nada
elogiáveis apupos, terminando em “Fora Ladrão!!”.

O que fez o Doutor? Levantou-se e partiu com seu séquito de amigos e familiares.
Se, aparentemente triste, pelos familiares, um simples raciocínio
permite inferir do uso desses milhões por toda a família.

Portanto: Bem Feito.
E que assim continue com todos os políticos picaretas. Os paulistanos
fizeram com Palocci o que toda a nação brasileira deveria fazer sempre
que se apercebesse lograda, roubada, ludibriada por políticos
inescrupulosos, que se aproveitam do cargo público para tirar proveito
para si mesmos”.

Barbas de molho, senhores dirigentes que não vêm cumprindo com seu dever. Remember Maílson da Nóbrega, que também teria sido expulso de uma AABB, de forma semelhante, e contemplem um de nossos mais inteligentes e habilidosos políticos diretamente punidos pela sociedade, em face de algumas de suas transgressões desconcertantes – e imperdoáveis, porque cometidas por quem deveria merecer também algum adjetivo de alta qualificação nos quesitos de cunho moral.

Os tempos estão mudando. Se as autoridades não se comportam à altura de seus cargos e nem cumprem com seus deveres de combater e erradicar a corrupção, a própria sociedade já está começando a cuidar disso, isolando e constrangendo aqueles que a traem no exercício de suas funções públicas.

Sinceramente, não gostaria de ver homens formados na grande escola do Banco do Brasil passarem por situações semelhantes. No entanto, já se percebem por aí os primeiros indícios de que a moda pode pegar…

TRABALHO HONESTO, DIREITOS PISADOS

Parte I

Agora é a vez dos seguros da ANABB. Mais um gigante tombando? Se a notícia procede, é hora de divulgar isso entre ativos e aposentados até os confins de nossa galáxia; mas com todo cuidado para que o desencanto que virá não se generalize e atinja injustamente as associações que merecem nossa fé.

Contudo, o movimento contra a Resolução não pode arrefecer. E, à parte a luta heroica do Presidente Marcos Cordeiro e dos pertinentes ensinamentos do Professor Edgardo, parece oportuno chamar a atenção de todos para as ponderações sensatas e equilibradas de nosso Juarez Barbosa.

Segundo Juarez, a campanha contra a inconstitucionalidade da 026, deve se estender a todo o universo das EPPC, e não despontar publicamente apenas como uma reclamação centrada nos assistidos pela PREVI.

Faz sentido. É preocupante a questão do risco de levar nossa GUERRA DOS CABEÇAS BRANCAS para o conhecimento da grande imprensa. De uma forma geral, essa parte coroada da mídia não simpatiza muito com o Banco.

Examinemos o assunto:

Atualmente, não há mais como confundir o Banco com seu quadro de funcionários. Um e outros encontram-se em linha de colisão. E é sabido que, entre o povo, muita gente nos considera privilegiados e arrogantes. Na verdade, essa parcela da sociedade não conhece que os funcionários do BB sempre se posicionaram de forma reativa aos interesses políticos dos governos mal intencionados em cima de uma instituição que deve servir ao Estado brasileiro e a seus acionistas minoritários, e não aos grupos sucessivamente instalados no poder.

A sociedade nunca teve percepção clara dessa nossa realidade interna. Mas a culpa é nossa. Nem sempre soubemos projetar uma imagem de simpatia ou de defensores do Estado, e não dos governos, em nosso trabalho bem intencionado. Aí está que, vez ou outra, escutamos comentários raivosos a nossa suposta condição e pose de marajás, agarrados nas tetas da pátria-mãe .

Poucos entendem por que nossos salários deveriam ser razoavelmente bons. Daí o risco em sairmos defendendo uma causa pecuniária, isoladamente nossa, em que estamos cobertos de razão, sem contar, no entanto, com amplo apoio da sociedade, insuflada por quem não compreende a natureza e a dureza do trabalho bancário. Muito de nós, não somente funcionários do BB, porém bancários, em geral, atingimos a velhice desgastados pela corrosão de um esforço contínuo que implica perfeito domínio dos serviços, celeridade às vezes absurda no atendimento de situações diversificadas e pronta solução de problemas exigentes de perícia contábil e eficiência administrativa.

Houve momentos, no Banco, em que chegamos a trabalhar mais de 24 horas por dia, uma vez que íamos para casa pensando nos problemas deixados para trás e ainda costumávamos sonhar a noite inteira com os assuntos do Banco . Horas sonhadas trabalhando devem ser contadas no mínimo em dobro. Teríamos, então, muito a receber pelo tempo despendido com o trabalho prolongado até nos instantes em que deveríamos estar sonhando sonhos mais proveitosos.

E ninguém vê bancário batendo papinho durante o expediente e nem pendurando paletó nas cadeiras, nos últimos dias da semana. Uma agência bancária é tão eficiente como um formigueiro ou uma colmeia. E quando o quadro de funcionários-formigas ou abelhas, que não param de trabalhar nem descansam na defesa das produtivas indústrias que sustentam, quando esse quadro é composto de elementos concursados, sem nenhum favor político, que passam a vida não só trabalhando como também estudando para crescer na carreira, quando o quadro é esse não há que se falar em marajaísmo.

Não somente os funcionários do Banco do Brasil, nem apenas todos os bancários, em geral; mas todos trabalhadores deveriam ser remunerados com dignidade e amparados por fundos de pensão organizados e bem administrados, quando já não o fossem pelo sistema oficial de seguridade social.

Do lixeiro ao Juiz, todos devemos ser bem remunerados, e não apenas aqueles que ocupam cargos elevados, que pedem estudos mais sofisticados. É evidente que os profissionais devem ser verticalmente recompensados segundo sua qualificação, além de outros aspectos gerais. O que não é compreensível, nem justo, é um distanciamento absurdo, humilhante, entre as faixas salariais, dentro das categorias ou entre elas, que, na verdade, tais desigualdades colossais inexistem na natureza humana, entre os indivíduos saudáveis e aptos para o trabalho. Todo trabalho dignifica e gera direito de justa remuneração, exceto aquele que produz o mal, o vício, a esculhambação moral.

Os doutores também não são pessoas de conhecimento ilimitado e encontram-se igualmente expostos às exigências da aptidão e aos desvios de caráter tanto quanto os talentosos auto didatas não diplomados. Diploma confere conhecimentos, mas não diviniza ninguém. Diferenças salariais abissais apenas estendem o distanciamento das categorias profissionais, alimentando o bolso e o ego daqueles que se julgam superiores por saberem coisas que os demais desconhecem. Ninguém sabe nada, se perdeu a simplicidade, a dignidade e o senso de justiça. O que torna um homem superior a outro é sua capacidade de amar, e não o conhecimento que possua.

As distâncias não podem ser imensas entre os seres humanos; contudo também não é possível pretender que devamos todos ser igualados em um mesmo patamar de potencialidades. O Muro de Berlim haveria sim que cair levando consigo o comunismo e todos seus vícios inevitáveis, como essa negação insensata da diversidade e da liberdade humanas. Contudo, a apresentação do capitalismo como benção político-econômica e social para a humanidade constitui um dos grandes enganos de seus defensores mais deslumbrados. No fundo, todos sabem que a divinização do capital está conduzindo a humanidade para o caos.

O capitalismo deveria ser visto, tratado e experienciado como um mal necessário e episódico. Uma fase do progresso humano, que um dia também passará ou se modificará substancialmente. Nessa perspectiva honesta, realista, poderíamos vislumbrar boas possibilidades de conduzi-lo para os melhores caminhos de sua necessária evolução. Endeusando um sistema sem imunidade contra as bactérias da corrupção, da incontinência do poder e da ambição da vontade, nossa voracidade capitalista destrói muitos dos mais sólidos valores morais que conseguimos edificar.

Reformemos profundamente nossos sistemas e nossa concepção da vida e do mundo ou não passaremos a um estágio superior, onde o trabalho honesto prevaleça e os direitos dele decorrentes sejam de fato respeitados.

TRABALHO HONESTO, DIREITOS PISADOS

Parte II

Do lixeiro ao Juiz, todos podemos nos vender e muitos de nós de fato nos vendemos, algumas vezes, independentemente da quantidade e da qualidade dos diplomas que nos certificam.

Um pseudo representante de categorias trabalhistas compostas por poupadores legítimos, com vencimento médio na faixa de R$ 5.000,00, não pode faturar R$ 81.000,00, por mês, graciosamente, como presente de um patrocinador que não é o proprietário do patrimônio gerador do rendimento.

Aí, começa o marajaísmo…

Um juiz não pode forçar a interpretação de uma lei além dos limites claros que a definiram. No mundo moderno, a informação voa por toda parte. Quase ninguém mais precisa esquentar por cinco ou seis anos os bancos de uma faculdade para saber ler seus direitos expressos e explicados na tela do computador.

Edgardo Rego detonou a tese da PREVIC de que a 026 veio para completar o vácuo jurídico da LC109. Boa pontaria tem o Mestre. Aquele argumento está mais para sofisma de mau gosto que para cogitação bem intencionada. Mas o perigo ronda! Salomões formados em Sauípe, se realmente existem, não haverão de se encantar com tal previcária explicação? A LC 109 não contém nem sinal de vácuos. É completa, clara, absoluta, como ensina Edgardo. Afirmar o contrário é desrespeitar nossa inteligência.

Aí, nasce nossa indignação…

E a Ordem dos Advogados do Brasil não pode se eximir de reconhecer um conflito gritante entre normativos jurídicos e administrativos que devem se entender como as notas de uma sinfonia perfeita.

Aí, principia a orfandade dos leigos…

Se essas coisas começam a acontecer, meus amigos; se a própria justiça perder a noção de direito, nada mais deveremos esperar do Estado e de suas instituições. Quando se apagar o último e mais alto instante da consciência de direitos, que se realiza no caráter dos membros dos superiores tribunais de justiça, não tenhamos mais dúvidas: o mundo estará realmente começando a acabar.

“Marcos, Edgardo, Juarez, Rossi, Tollendal, Ruy Brito e vós outros dos antigos, dizei-me se, dos autênticos, alguns traidores também houve alguma vez…” (*).

Quais dos nossos traíram o Grande Banco, exemplo de competência, de honestidade a que muito nos honrou servir, no passado? Não foram esses promotores e facilitadores da invasão sindicalista que sepultaram a dignidade do Banco e não defenderam nossa PREVI contra o apetite insaciável dos novos governantes, que acreditávamos melhores que os anteriores?

Os senhores do mundo, que passaram a vida estudando o domínio dos mercados e a psicologia de controle de massas não se projetam além de seus próprios egos e parecem desconhecer que o ser humano possui um espírito – melhor dizendo: o ser humano é um espírito. Se os homens do mundo, que somente pensam na administração e na acumulação de riquezas, lançassem por um momento seus olhos treinados para o universo da espiritualidade, perceberiam que os problemas da humanidade caminham rapidamente para um ponto de saturação. Um terremoto espiritual sem precedência está por sacudir o planeta, enquanto os dirigentes de nossas instituições mais fortes, mais capazes de promover os bons valores como exemplos para resgate do ser humano decaído no universo das corrupções, continuam, esses senhores, colaborando para que as rodas das grandes tragédias do fim do mundo permaneçam avançando em direção ao caos.

O pensamento dialético disse algo interessante quando percebeu que teses geram antíteses, inevitavelmente, em todas as instâncias da realidade. As contradições do capitalismo excitavam o socialismo, assim como a concessão de renda certa a um privilegiado grupo caixa preta, a desapropriação de metade do superavit e, por último, a intenção de pagar salários e aposentadorias de R$ 81.000,00 a uns poucos, à custa dos cofres previdenciários dos mal assistidos, acabaram detonando uma guerra que vai parar nos tribunais e pode sacudir as estruturas do império petista, mil vezes menos poderoso que o sacro domínio romano, berço do direito universal e naufragado um dia na desorganização geral e na promiscuidade incontrolável.

Verdade que o caso dos 81 mil no bolso dos dirigentes pode ser a mesma história do bode na sala. A PREVIC remove agora o bicho mal cheiroso e posa de isenta, para ostentar maior credibilidade, quando fala em vácuo jurídico na infame 026.

Os juízes venais, se os há, quedarão encantoados. Os que honram seus cargos não falharão no julgamento de um direito tão claro e inequívoco. O trabalho dos blogs, os pareceres de alto nível como o do Escritório Petrarca, e muitos outros, deixaram mais distantes as possibilidades de um ministro do Supremo interpretar subjetivamente o conflito entre a LC 109 e a Resolução 026? Se tal ocorrer, no entanto, nada mais nos restará, a não ser a certeza de que o fim dos tempos realmente está chegando.

Parecemos, sim, visionários, frágeis combatentes. No entanto, e na verdade, não o seremos, se não o quisermos e se sentirmos a esperança renascer, quando nos lembrarmos dos invencíveis opressores que acabaram tombando sob suas próprias contradições, na história de todos os povos, para que o direito e a liberdade se impusessem acima de suas arrogâncias e ambições desmedidas.

Na certeza de que estamos com eles até o fim, é aí que a determinação dos grandes heróis pode acabar vencendo. Se não somos portadores do mesmo brio e da mesma bravura daqueles que nos guiam, não os abandonemos, ainda que fraquejemos algumas vezes. Não nos julguemos pequenos e insignificantes, se as sombras gigantescas dos poderosos assustam nosso ânimo. Ou, pela toada da carruagem, já podemos dizer que, na verdade, nem sequer existimos? Somos uma ilusão, caros amigos? Temos vida apenas na mente de algum Alonso Quijada pelejando com moedores de recursos superavitários alheios? Somos todos quixotescos anciãos investindo contra inimigos inatingíveis? Eles existem. Nós, não? São gigantes poderosos, dominam as leis, as normas, as resoluções, tudo. Nós somos apenas os cães vivendo das migalhas sob a mesa, no grande banquete dos senhores, depois de por eles vencidos todos os mais relutantes adversários?

Não. Não somos sombras de um passado inválido. Somos homens e mulheres que serviram nossa gente trabalhando incansavelmente e aprendemos a lutar por nossos direitos. Não somos adolescentes irresponsáveis nem baderneiros inconsequentes. Somos funcionários que podemos dizer em boa voz: cumprimos nosso dever e não estamos aqui para depender de esmolas de um governo que defende com unhas e dentes seus ministros e líderes corruptos, mas não levanta uma palha para restabelecer o sentido de justiça reclamado por uma imensa família bancária que sempre foi exemplo de seriedade e competência para gerações de brasileiros…

(*) A frase não pretende associar cidadãos nobres e íntegros aos generais romanos relacionados no imortal trecho de Camões. Foi usada apenas para perguntar aos primeiros se alguns dos autênticos funcionários do passado traíram os ideais do Grande Banco. A ideia era formular a mesma indagação a homens sérios e respeitados, e não a militares romanos de má biografia (citados em contexto diferente), para conhecer, de fonte limpa, se os dirigentes de hoje chegaram a estudar naquela escola ou formaram-se posteriormente, a partir de quando o Banco passou a arquivar os antigos e a fazer a cabeça dos novos. Somente mais tarde, percebi que o trecho não se prestava à realidade de nossa causa, em toda sua extensão. Nem mesmo aqueles a quem hoje criticamos merecem comparação com os abomináveis criminosos mencionados pelo poeta.

Paulo Motta.

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