220711

ESCREVER POUCO E DIZER MUITO

Recentemente, por demasiado extensos, alguém criticou pesadamente meus textos, através do blog do Juarez. O ataque pegou-me desprevenido e caí matando, de volta. Inútil grosseria de minha parte. Ainda que a autora sustente suas palavras, será o caso de me desculpar com ela, por não saber me conter. Textos longos não são recomendáveis. Sei-o muito bem. O bom discurso é aquele que termina quando todos desejam que continue. Mau é o que continua quando todos querem que acabe. O problema é que há temas que não comportam concisão, a não ser no interior das frases.

Há ideias que a narrativa sintética não exprime com a devida clareza, como as que hoje aqui se estendem. Peço a todos que atentem para a diferença entre este blog e os demais, de cunho informativo e que admitem notícias rápidas em trechos curtos. Este aqui é um trabalho secundário, apenas para ajudar os outros, através de reflexões mais extensas, principalmente quando a panela de pressão parecer a ponto de estourar…

O CHEIRO DE XEREM

Ainda bem que somos criaturas dotadas de vários sentidos. Há certos fatos que devem ser interpretados pelo atributo sensorial que melhor nos possa informar sobre eles. Parece que, no caso dessa reunião, o olfato é o que bem pode nos valer.

O olor que exala do clima do encontro não deixa dúvidas: o doce fazer nada continua cozinhando no forno morno de nossas representações, exceção feita à AAPREVI, é claro, e algumas das associações que se fizeram presentes. Em que pese às divergências internas, é de se notar a existência de crítica autêntica à inércia da PREVI e da ANABB, em algumas das manifestações das demais entidades.

Abstenho-me aqui de justificar ou condenar a contundência do Marcos, nesse caso. No entanto, não posso resistir ao impulso de tentar explicar suas razões, o que significa atitude completamente distinta.

É notório que Marcos possui um talento inato para detectar subterfúgios e segundas intenções, onde normalmente a maioria de nós nada percebe de malicioso. Seus chips morais entram logo em alerta e exigem ação fulminante contra o que lhe parece aquilo que normalmente se chama de corpo mole, jogo duplo ou qualquer outra fórmula patrocinada pelo sentimento indigesto da insinceridade. Convenhamos, é um caminho perigoso, difícil, um fio de navalha, na medida em que pode sim afiar injustiças. No entanto, convenhamos também, sem o grito do guerreiro, sem a indignação frontal do comandante, a batalha perde força e não tem chances de ajudar a conduzir à vitória final.

E o quadro que se contempla é profundamente nítido… até certo ponto: entre nossos efetivos, dezenas de mercenários se misturam para desvirilizar o combativo movimento dos autênticos, daqueles que, de fato, estão oferecendo tudo de si em testemunho de suas intenções e em defesa dos direitos dos aposentados e pensionistas.

Por exemplo: Sasseron confirmando que a ADI vai acontecer em agosto? Onde, em seu histórico, está escrito algo que nos faça acreditar em suas palavras ou intenções? O cheiro de Xerém nitidamente informa que alguma surpresa desagradável pode estar se preparando na massa em cozimento. Normalmente, não seria esperável que aquele senhor procurasse desmotivar as entidades engajadas no recurso à Justiça? Conheceria já a armadilha que talvez já se prepara na votação da Ação Direta de Inconstitucionalidade? A mídia tem comentado coisas estranhas sobre alguns indicados do Governo para o STJ. Que o Supremo paire acima desse falatório…

Estamos no limite de nosso endividamento? Mas, então, para que servem os indicadores das margens consignáveis? E o abono anual? E as excessivas aplicações em renda variável, consumindo o superávit sem que os autoproclamados experts em economia se deem conta de que a crise ainda não passou de todo. Não é, hoje, de boa previdência preservar nossos ganhos em lugar de expô-los ao risco incessante da quebradeira global?

Ora, que tudo pareceu pretexto para justificar um puxão de orelha no Marcos, é o que o cheiro de Xerém claramente exala. Isa pode estar a meio caminho entre os que inequivocamente trabalham para o associados da PREVI e os representantes dos gigantes opressores e, talvez, não mereça realmente uma carga tão pesada, senão algumas sacudidelas de alerta para que acorde de suas imprecisões e não se deixe convencer pelos falsos movimentos dos que jogam com duas bolas.

Entre o 8 e o 80, existem 72 números para quantificar a potência dos petardos que se disparam e é possível alertar o Marcos sobre a conveniência de atenuar um pouco a força de seus canhões. No entanto, daí até uma Moção de Repúdio no fim da festa, com toda a intenção de não permitir a defesa do repreendido, existe um passo antiético de colossal dimensão. Uma armação astuciosa para colocar um único homem em uma roda de atingidos, previamente combinados, não pode exalar bom cheiro.

Na esteira daquele raciocínio desenvolvido no post anterior, de que a tese é que alimenta a antítese, vale evidenciar que vem se tornando crescente a certeza de que o Banco, antes reagente aos interesses do governo da vez, deixou-se levar pela invasão do sindicalismo petista, colocando em risco o patrimônio moral e financeiro de nosso fundo de pensão. Isso gera uma tensão terrível entre os assistidos! Daí que os ânimos ficam exaltados e uma espécie de fogo amigo inoportuno começa a dividir os verdadeiros interessados no resgate do velho Banco e na estabilidade da PREVI. Todos deveriam estar atentos e não se deixar levar pelo vírus do desentendimento e da cizânia, que tanto serve ao trabalho dos que nos desejam desmoralizados e privatizados.

É a visão clara desse perigo que deve levar o Marcos à carga pesada de seu verbo demolidor. Em si mesmo, o administrador do blog Previplano1 nada tem de mau e desrespeitador. E não há como atacar sua dignidade no exercício de suas funções e nem como deixar de admirar sua coragem diante de uma plateia francamente hostil. Basta verificar que, passado o pico de sua indignação, sabe se desculpar e reorientar seu discurso, se as consequências recomendam. O que Marcos não tolera é a opressão, a espoliação de direitos, as injustiças dos poderosos. A própria Isa parece entender isso.

Há bons colegas espalhados por aí, em todas as associações, trabalhando pelos objetivos comuns de todos nós. Os membros da AFA-BH, por exemplo, influentes em Minas, e os guerreiros da APPREVI são autênticos e lutam pelos minoritários e injustiçados. Agora, vemo-los, discordes, à beira de iminentes confrontos. Não é bom para a causa dos cabeças brancas que seus líderes se choquem, porquanto são produtores de opinião e seus reais adversários são outros.

Essas explosões de indignação ocorrem com todos nós, em maior ou menor intensidade. Estejamos todos alertas quando uma crítica acertar nosso nervo exposto. Será o momento de nos segurarmos e jogar um pouco de tolerância no fermento da emoção. Daí para a frente, o mecanismo de autocrítica de cada um fará o resto.

Consideremos que a culpa não é de ninguém, senão da situação que vivemos. É melhor assim. Pelo menos para isso, para essa nova atitude, sirva o Cheiro de Xerém, que, na verdade, não era aquela tétrica e imunda pocilga que alguns comentaristas estranhamente pintaram. Pena que a Assembleia não brilhasse tanto quanto as instalações do Clube…

Paulo Motta.

  1. #1 por Eusebio em julho 23, 2011 - 7:28 am

    Meu caro colega Paulo Mota.

    Lendo o seu post bonito e substancioso e com a mesma elegância de todos os seus escritos me detenho no assunto que está causando muita preocupação a todos nós assistidos, a grande aplicação em Renda Variável. Ontem, li na revista exame que a Previ está prestes a vender seu investimento na “Neoenergia” por 24 bilhões e ao que parece a espanhola “Iberdrola” está oferecendo 21 bilhões. Ora se ainda resta a “Vale” por outros tantos bilhões, parece-me que a Previ não está tão vulnerável quanto se pensa e também podemos imaginar que a “Bovespa” já atingiu o seu piso (60.000) pontos. O que você acha?

    abraços

  2. #2 por Paulo Motta em julho 23, 2011 - 4:00 pm

    Eusébio,

    Obrigado, pelas palavras de elogio. Sobre suas ponderações, explico que minha preocupação veio com aquela história da evaporação dos 2 bilhões reservados para a segunda parte do realinhamento. A partir daí, alguns comentários no blog do Marcos começaram a pintar um quadro meio tenebroso. Porém, entendi seu raciocínio e, à vista de suas informações, passo a perceber que realmente a situação não deve ser assim como imaginam os mais pessimistas, embora me pareça que, se a PREVI começar a queimar ativos fixos para cobrir deficits, pode ser, pelo menos, um sinal de alerta. Não?

    Sobre a Bolsa, acho que você tem razão. O quadro geral da economia global tende a favorecer os países emergentes. Ainda que sem o conhecimento técnico dos especialistas, pressinto que os eventos da Copa e das Olimpíadas vão tingir o mundo de verde e amarelo. E é bem possível que boas parcelas do capital internacional comecem a correr para cá. Afinal, se Deus existe, já é hora de Sua Divindade investir no Brasil.

    Mas por onde andava você que quase não aparece nos blogs? Some, não, amigo. Mesmo em suas poucas palavras, já deu pra perceber que você é necessário e indispensável.

    Paulo Motta

  3. #3 por Maria Helena G Leal em julho 23, 2011 - 10:19 pm

    Caro Paulo,

    Como sempre, seus posts são prazerosos de ser ler. Parabéns.

    O guerreiro e incansável Marcos é assim: “escreveu, não leu? o pau comeu”. O que seria de nós, aposentados e pensionistas, se Marcos não tivesse criado a AAPREVI.
    Agora vêm os “Sasserons” da vida querendo nos matar de vez.

    Li no blog do Juarez (outro guerreiro), ele dizendo ser um otimista. No momento sou o oposto dele. Infelizmente, Paulo, o que tenho ouvido e visto é desanimador. Colegas endividados até o pescoço, mal tendo o que comer, e alguns, que já partiram dessa para a melhor, deixaram “seus” filhos a mercê da própria sorte. É como diz o meu filho Caio, imitando o Chapolin colorado: “e quem poderá nos defender”? A PREVI? BB?
    Que nada!

    Desculpa colega querido, mais nem sempre consigo ficar em cima dos saltos.

    Abraço a todos.

    Lena.

  4. #4 por Ricardo Annoni Neto em julho 23, 2011 - 10:20 pm

    Parabéns Sr. Paulo Motta. Assim como aqueles do Marcos (foi lá que fiquei conhecendo seu Blog) seus escritos me dão um prazer enorme. São claros, inteligentes e objetivos. É realmente lamentável que a quase totalidade dos aposentados do BB sequer se dão trabalho de ler alguma coisa sobre a situação que nos preocupa, ou seja Previ rica e assistidos cada vez mais pobres, além do fato de que – a continuar assim – a Previ também ficará pobre (ou quebrada !!!!). Mas…..eu não sou uma excessão: foi só a partir da criação da AAPPREVI (sou o associado nº 5) e dos comentários do Blog Previplano1 que eu acordei para a questão. Tendo trabalhado quase todo o tempo de Banco em uma cidade interiorana (com uma breve passagem por Campinas-SP), vivendo, portanto, longe dos assuntos que nos dizem respeito como aposentados, acreditava piamente nas revistinhas da Previ e da Anabb. Nas eleições pensava assim: “se Anabb diz que devemos votar nessa chapa, é nela que eu vou votar”. E assim uns 90% dos aposentados e talvez também os da atvia. O problema é: como acordar toda essa gente ? Pela Internet as notícias correm rapidinho mas a grande maioria de nós – parece – só se interessa por novelas, achando que o computador é um “bicho-papão”. Precisamos pensar em uma forma de “cutucar” essa turma que está dormindo em “berço esplêndido”. Antes que seja ainda muito tarde…..

  5. #5 por Paulo Motta em julho 24, 2011 - 12:31 am

    Lena,

    Não é fácil ser otimista, diante desse quadro desolador a que nos submetem. Nisso tudo, vale constatar que existem pessoas como você, que sempre se lembra da situação de nossos colegas menos favorecidos. Continue assim, Lena. É nessa escola que o Caio está estudando e, quando começar a soltar o verbo, tem tudo para ser um grande ser humano, como você.

    Saudades constantes. Seus comentários e emails trazem momentos de prazer que compensam as contrariedades do dia-a-dia.

  6. #6 por Paulo Motta em julho 24, 2011 - 1:25 am

    Ricardo,

    Dizem que escrever exige mais transpiração que inspiração. Faz algum sentido. O leitor merece respeito. Por melhor que seja a idéia em desenvolvimento, vale a pena procurar aprimorar bem o texto para tentar atingir o centro de percepção crítica de quem vai lê-lo. Diante de palavras como as suas, quem escreve recebe uma ajuda inestimável para orientar seu pensamento. Assim, o mérito do que vai sendo produzido pelo autor deve ser creditado também a quem se manifesta sobre o conteúdo de seus escritos.

    Minha história é bem parecida com a sua. Na ativa, circulei pelo interior, em comunidades médias e pequenas, conhecendo muita coisa boa de Minas. Minha cidade grande foi Belo Horizonte, por quase cinco anos. Estudando filosofia, espiritualidade e religiões comparadas, pensava estar consciente de muita coisa na vida. No entanto, ao descobrir o blog Previplano 1, experimentei um choque terrível, por entender que, enquanto procurava lançar minha vista longe demais, no tocante aos problemas humanos, não percebia o que ocorria diante de minhas barbas. Para mim, o Banco, a PREVI e a ANABB eram modelos de instituições inatacáveis. Hoje vejo como era bom, mas perigoso, o sono alienado, em berço esplêndido, acreditando que todos meus colegas eram bem aposentados, como tive a sorte de ser. Agora, doem-me as agruras das pensionistas e daqueles que recebem ninharias depois de se doarem com desprendimento pela grandeza do Banco. Continuo defendendo seu crescimento; não, porém, dessa forma. Daí, minha admiração por pessoas como o Marcos, esse singular ser humano que, às vezes, bate forte demais e se expõe corajosamente a críticas pesadas e ameaças constantes, para levar adiante uma bandeira que não pode ser erguida e conduzida apenas com palavras macias e pequenos beliscões. Alguém precisa pendurar o guizo no pescoço do gato, arriscada tarefa que o Marcos chama voluntariamente a si. E, entendamos bem, não é exatamente um gato o dono do pescoço. É onça pura!

    Um abraço fraterno.

    Paulo Motta.

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