CARTA ABERTA A EDISON DO BEM E OUTRAS REFLEXÕES

SEGUNDA PARTE

(Texto original revisado e alterado em pequenos detalhes)

O que se terminou dizendo, na primeira parte, vem do que a mídia noticia seguidamente. Fala-se aqui, no entanto, especificamente, da indagação que naturalmente decorre do assunto tratado pelo missivista Edison de Bem, que pretende seja esta questão esclarecida para todas as partes interessadas: Afinal, a quem pertencem os fundos de pensão?

Devemos acreditar que alguma coisa muito séria trava ocultamente o zelo moral que deve presidir um tema tão caro como o da questão previdenciária? Que freio, que impedimento seria esse que não permite aos mandatários do poder, e às instituições que representam, deslanchar um urgente processo de correção dessas constrangedoras distorções?

A negociação de um percentual para o Patrocinador é um assunto que poderia até ser discutido, mas em uma assembleia de que participasse efetivamente a maioria dos assistidos. No sistema montado pela situação, as vozes reclamantes não puderam chegar a 5% dos interessados… e prejudicados! Prevalecesse a velha sabedoria de que mais vale um mal acordo que uma boa pendenga, 20%, por exemplo, de R$ 15 bilhões dariam R$ 3 bilhões. Sobrariam 80% = R$ 12b. Já recebemos R$ 7,5b. Restariam então R$ 4,5b para os desassistidos. Isso poderia significar um novo bet, de mais uns 12%. Recebido de uma só vez, não valeria a pena? Ou muita gente mais nova ficaria ainda na merreca? Com a palavra, também, Juarez, Edgardo e vós outros dos antigos…

Mas gritar pelos R$ 7b é sumamente relevante, porque, a não ser em virtude da câmera lenta da Justiça, nem sequer sabemos por que outra razão devemos conceder um bom desconto para o Patrocinador. Só que, agora, justamente agora, “outro clamor mais alto se alevanta”. Mais que tudo, aos aposentados e pensionistas, importa hoje pagar suas contas. Isso é assunto nosso, interno, urgentíssimo! O resto, conversa-se posteriormente, sob clima mais ameno, logo depois de a senhora presidente ler a carta de nosso amigo Edison. No momento, chegamos ao ponto absurdo de ter de berrar por empréstimos de valores que nos pertencem, guardados em cofres disponíveis apenas para aqueles que se dizem representantes nossos. Representantes? Então, a chave, por favor…

E o Governo quer dinheiro, DINHEIRO! O vil metal, luzindo e tilintando em suas arcas! Ora, é já amplamente conhecido que tudo deriva de pressões a que o Banco do Brasil vem sendo submetido da parte de membros do partido governista. Oriundos do sindicalismo petista, não se forjaram na escola de ética administrativa do Banco e, agora, impõem condições estranhas àquela que, em passado recente, sempre foi uma instituição exemplar no que dizia respeito aos direitos de seus funcionários e clientes.

O resultado é apenas um silêncio torturante, em um mundo onde somente ecoam as aflições dos aposentados e pensionistas, jamais ouvidas pelos dirigentes da PREVI. Talvez, não. Pode não estar longe o ponto de fadiga da paciência nacional, diante do volume de riquezas públicas que se perdem no mercado das licitações fraudadas, dos favorecimentos dissimulados e dos abocanhamentos vorazes. E aí, caros dirigentes que gargalhais pelos cafés da Capital, certamente ouvireis, um dia, as vozes dos desassistidos, então potentes, mas nunca antes entendidas, enquanto lhes pareciam gemidos frágeis, lamentos inaudíveis de uma classe indefesa e presa fácil de vosso apetite por suas suadas economias de longos anos.

Espertíssimas estratégias para encher o caixa e engordar as contas governamentais já transbordam pelas defesas das represas oficiais. Tudo bem, quando o destino não é o bolso da turma que manda, comanda e desmanda, e a origem não é a poupança superavitária da patota de cabeça branca, nem do público pagante em geral. Mas onde vai desembocar a multiplicação de contradições no gerenciamento autoritário e embaçado das operações tapa-buracos e da situação complicada a que temos sido involuntariamente conduzidos?

A tudo que se pede, algum segredo de estado sempre impede… desses que só poderão ser conhecidos daqui a 50 anos, depois que nosso Plano de Benefícios 1 acabar. Somente um impeditivo de tal porte, uma calamidade monumental que fizesse talvez o país naufragar ou explodir, poderia justificar o fato de que um fundo de pensão, abarrotado de superávits, só tenha como conceder benefícios minguados e temporários a seus participantes, muitos deles endividados até o pescoço, embora possa financiar hidrelétricas e trens-bala sem futuro, socorrer a Bolsa de Valores, engordar o lucro do Patrocinador e aumentar o salário de seus dirigentes, no silêncio blindado de seus próprios gabinetes. Tudo isso pode; mas… e conceder maiores prazos e valores de EMPRÉSTIMOS aos donos do patrimônio, para socorrer suas mais urgentes aflições? Isso, NEM PENSAR?

Nem uma ameaça de quebradeira nacional, como aquela que motivou o governo collorido a inaugurar a prática que hoje recrudesce, justificaria os expedientes que a PREVIC sabidamente convalida. No entanto, aquele poder caiu. Caiu porque os recursos confiscados pertenciam à clientela geral, e não somente aos aposentados e pensionistas do Banco do Brasil.

Amigos, já estamos entrando no mundo penumbral e pantanoso da política, preparando-nos para militar do outro lado, justamente o lado que só pensa em privatizar, privatizar e privatizar…

Se pegar, o bicho fica. Se comer, o bicho corre…

Edison, só mais este pedacinho: “Senhora Presidente, o título de Excelência, Sem Restrições, clama por um peito onde pousar. Um peito feminino que ensine o caminho correto aos homens que não conseguiram, ou não quiseram, dar um jeito definitivo e completo nessa situação que pode impedir o crescimento moral, econômico e político da grande nação brasileira, durante o mandato que lhe compete”.

Paulo Motta.

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