Arquivo de outubro \18\-03:00 2011

SOBRE O ABAIXO-ASSINADO…

191011

Marcos,

Estava justamente rascunhando um texto para você, via e-mail, quando recebi aquele seu em que fala do distanciamento de seus objetivos verificado na proposta do Juarez. Também percebi isso, mas fiquei constrangido em tocar em certos aspectos do trabalho dele. Seus estilos são muito diferentes e meu receio era justamente que ele não se dispusesse a encabeçar um movimento como o que você propôs. E foi o que acabou ocorrendo. Uma pena. Juarez é um companheiraço!

Espera-se que o episódio não deixe sequelas entre vocês.

Minha concepção de abaixo-assinado acredita ser de natureza reivindicatória a personalidade desse tipo de documento. Juarez também entende assim. Mas vejo que você, como o genial comandante que é, criou um novo tipo de artefato atômico. Até aqui, nada contra. Penso que o texto final deveria estar realmente mais próximo daquele que você propôs. A PREVI já passou do ponto, em seu descaso para conosco. De sorte que não podemos abdicar de certa contundência, mesmo na formulação de um expediente como esse, cujo propósito primeiro, em sua formatação tradicional, não seria um ataque em si.

Como disse, só discordo de seu item 4. Em documentos da espécie, cabe perfeitamente o tom de reclamação, como também tem vez a secura, a objetividade, a firmeza e a indignação. Já a linha de intimidação, desafio, ameaça, não parece condizente com a índole de uma petição – pelo menos na visão conservadora.

No que respeita à necessidade de não amolecer em relação ao ES 150/150, estou de pleno acordo com você e não pude deixar de registrar isso para o Juarez. Também na questão do Voto de Minerva, assim o fiz. Lamentei ainda que outros aspectos estivessem dissonantes entre vocês; mas, como disse, receei que, diante de muita crítica o Juarez se melindrasse e desistisse. Vejo vocês dois como grandes combatentes, cada um lutando de seu jeito, ambos essenciais; cada qual escrevendo no momento certo e da forma como muito bem fazem. Sinto-me como um simples discípulo de vocês, que não pode pretender saber mais que seus mestres. Daí, que já me desculpo, com ambos, pela impertinência de meus questionamentos. Vocês estão nesse barco há muito mais tempo que eu. Sabem tudo. E seus propósitos são os mesmos; a diferença está nos estilos, na expressão de cada um. Você não é agressivo, como muitos de seus adversários o acusam. Na verdade é um indignado bravo, que não suporta a prepotência dos fortes e a esperteza dos poderosos para cima dos oprimidos. Aí está sua grandeza. Juarez é um guerreiro suave, desconcertante em sua sábia mansidão. Nisso reside sua força.

Meu ponto de vista sobre a questão da ameaça não me impede de assinar o documento. Prefiro de um jeito; mas, se tiver de ser de outro, não vejo nenhum problema. Afinal, os destinatários não merecem mesmo tanta preocupação. O que vai me chatear, e jamais perdoarei, é se o Presidente da PREVI não receber pessoalmente nossa Comissão. Esse direito ele não tem. Se o fizer, estará desrespeitando a todos que se sentem prejudicados, desassistidos, menosprezados, mesmo sendo os autênticos proprietários do patrimônio litigado, incluídos até aqueles que ainda permanecem desinformados e, por isso mesmo, ainda não se manifestaram.

Se essa massa de potenciais indignados acordasse e se pusesse em campo, nada deteria o então Poderoso Exército de Cabeças Brancas! Exército do Bem, que não joga bombas, que não mata ninguém, mas que não foge à luta pelo direito e pela dignidade do aposentado e da pensionista, como bem mostram os seguidores dos blogs, cansados, humilhados, endividados, mas sempre presentes, sempre acordados em busca de uma luz, de um caminho, de uma esperança…

Homens como você e Juarez simbolizam essa esperança.

Paulo Motta.

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JUDICIÁRIO

JUDICIÁRIO, O ÚLTIMO CÂNCER?

Parece que os governos consideram os aposentados como lixo. E tudo começa lá, no patrocínio dessa invasão sindicalista que destrói progressivamente não só o Banco como também a PREVI e tudo que ainda resta de bom neste país, se é que isto ainda é um país.

País é um todo organizado que constitui uma nação. Não há mais país, em um território onde até o Supremo Tribunal de Justiça deixa-se enfeitiçar pelos argumentos de diretores de bancos e de fundos de pensão, e já não parece mais existir esperança para os cidadãos comprometidos com o Estado de Direito, com a honra, com a decência, com o ânimo de dignificar, nesse comprometimento, não só a si próprio como ainda o povo e a espécie de que faz parte.

Enquanto a juventude começa a se mobilizar em protestos de rua contra a corrupção generalizada, na esteira de uma onda de denúncias, o informativo da AFABH publicou artigo de um juiz com ácidas críticas a alguns membros dos tribunais superiores notoriamente compromissados apenas com seu instinto carreirista e não com o propósito de promover uma justiça cada vez mais isenta e eficaz. Essa contaminação do Judiciário aos poucos vai se tornando visível também através da grande imprensa, que há tempos já identifica e denuncia as garras do sindicalismo petista infiltrado e enraizado em diretorias de empresas e órgãos estratégicos do governo.

Edgardo Rego descobriu uma entrevista com a ministra Eliana Calmon, Corregedora do Conselho Nacional de Justiça, e contribui ainda com dois outros textos da Folha de São Paulo e o Globo. Fique terminantemente proibido, pela consciência coletiva de cidadania de cada um, deixar de ler esses textos. As transcrições estarão aqui no Blog, em alguns dias. Delas, infere-se o que pode ter ocorrido entre um whisky e outro nas plácidas paisagens de Sauípe.

Por tudo isso, vê-se que a coisa vai mal por estas bandas verde-amarelas. Não debelado tempestivamente, o câncer consome o Legislativo e aprofunda-se onde menos poderia alojar-se: no coração do Judiciário! Será possível controlar essa metástase que se agigantou nas sombras, durante tanto tempo? Mas o lado positivo são justamente esses primeiros sinais de que pode estar se aproximando o momento do grande grito de moralização verdadeira e efetiva ainda não ouvido às margens do Ipiranga. É o coro geral que se anuncia e cresce. Bom momento para extravasarmos nossas queixas além dos limites de nosso contra-fundo de pensão e colaborar ativamente no memorável parto que pode estar vindo por aí.

Devemos sim continuar lutando, ainda quando percebamos nossas ações periféricas apenas fazendo cócegas nos gigantes, sem atingir o núcleo irradiador de seus poderes de manipulação e exploração das massas e sempre mantendo a pureza de nossas intenções, porque justamente isso é o que perdem os corruptos, em seu breve momento de ascensão e glória. A esses, jamais os venceremos, somente com nossas cócegas, embora possamos ajudar distraindo-os e preocupando-os, algumas vezes, enquanto a onda de insatisfação cresce para outros lados. Somente eles próprios se vencerão a si mesmos, porque a contradição está dentro deles, comendo-lhes imperceptivelmente o próprio fígado. Eis aí que traçam o próprio destino, como todos nós fazemos. O mal está ali, alojado no instinto egoísta e apodrecendo o lado bom que se recusam. Em breve, estarão completamente sitiados. Não podem vencer! Sua vitória final seria a derrota da humanidade. Não adianta calarem uma boca. Outras mil anunciarão o fim de seus mandatos…

Os corruptos cairão de podres, e não está longe o momento em que toda a humanidade vai enfrentar essa depuração, para realização das sábias palavras de Cristo, antevendo o dia da separação do joio e do trigo. Nosso dever é não distrairmos na percepção e na denúncia de seus movimentos mal intencionados, sempre vigilantes, inclusive, para que o vírus da corrupção não encontre pasto também em nossas almas, e um processo real de purificação de nossas instituições se instale de forma definitiva no organismo desta nação que desejamos continuar ajudando a construir.

Parecem apenas cócegas, nossos indignados comentários; mas não são. Constituem, sim, o princípio do despertar da consciência cívica generalizada. É nossa própria história, como desassistidos da PREVI, somando-se à imensa população brasileira de pé contra o Estado de Degeneração Moral que se apoderou do País.

Problemas temporários de saúde vêm me dificultando uma participação maior em nossa causa. Nada grave. É sabido que a coluna cervical absorve o bombardeio emocional e se instabiliza. Dificuldade de locomoção e ainda alguma dor deprimem a vontade. O pessimismo aproveita e toma conta. Dei um tempo, para não contaminar meus colegas com esse desânimo atroz que me consumia. Mas quem criticou tem razão. Se desejo dar continuidade ao Blog, tenho de encontrar tempo para manter a regularidade das edições, assim como energia e fé, para não transmitir desânimo.

Contudo, enquanto a normalidade não retorna, ainda me resta espaço na alma para reproduzir um trecho bem humorado, não sei de que autor:

“Não se preocupem. O fim do mundo foi cancelado para o Brasil. O país não tem condições de abrigar um evento de tal porte…”.

Paulo Motta.

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