Arquivo de novembro \30\-03:00 2011

A CONFRARIA

Circula nos meios eletrônicos a informação de que atua nas regiões de sombra dos fundos de pensão uma poderosa organização informal, coesa, de mãos dadas, perfeitamente administrada, que impõe uma mordaça invisível em todas as instituições envolvidas com os direitos dos aposentados, objetivando evitar a veiculação de informações capazes de fortalecer os recursos da classe junto aos tribunais.

Concedamos que tal procedimento não se configure um crime de lesa-ancianidade, mesmo porque e uma vez que, neste país, o cidadão idoso, ao que parece, não pode mais ser sujeito de direitos. Ou, então, ouçamos, calados, a voz da mídia, se cujo apoio e complacência vierem traduzidos na insinuação maliciosa de que tudo não passa de mais uma teoria da conspiração.

Será? Decididamente, sabe-se que os poderes não gostam dos aposentados, a não ser quando se trata de seus próprios membros, claro, que ninguém lá tem propensão para a autofagia. Mas o fato é que a informação sobre a Confraria explica o silêncio da PREVI, cativa do sistema de rejeição aos direitos dos assistidos, aqueles velhinhos trambiqueiros do Sasseron.

Para justificar medidas anti-previdenciárias, a grande imprensa já diz que o governo gasta mais com os aposentados que com os jovens. Não há porque comparar tais custos. São grupos com necessidades e extensões completamente diferentes. Um governo que se preze deve gastar o que cada segmento precisa, em lugar de permitir que a corrupção nacional atinja a absurda cifra de R$ 85 bilhões, devidamente calculada e apartada como despesa indispensável para a tranquilidade nacional. Só que essa tranquilidade nacional não contempla a maioria e nem os que fundaram e sustentaram, por longos anos, as entidades privadas criadas para o fim específico de complementar as merrecas pagas pelas instituições públicas. Mas os articuladores dessa política perversa certamente acreditam que essa situação tem como se estender por muito tempo, sem enfrentar uma reação crescente e cada vez mais forte da parte prejudicada e inconformada.

É poder demais para enfrentar, é verdade! No entanto, a notícia começa a pipocar por aí, acordando os desassistidos de outros fundos de pensão. Antes que isso vire uma guerra de proporções inimagináveis, pede-se encarecidamente a nossos supremos governantes que relaxem um pouco essa antipatia pelos abengalados, compreendam melhor os exageros dessa política injusta e façam alguma coisa para atenuar a angústia desses cidadãos que trabalharam honestamente, por longos anos ajudando a produzir as riquezas nacionais, caindo agora em situação financeira cada vez mais complicada.

Ninguém quer briga. Ninguém deseja confusão. Tudo que se pretende é que o Estado consiga, pelo menos, reduzir as agruras dos desativados – ao chegar a hora de receber o retorno de seus investimentos –, em lugar de permitir que os agentes públicos fiquem se organizando em estruturas silenciosas e invisíveis, se, dessa forma, mais se assemelharem a quadrilhas a serviço do crime que a organizações respeitáveis – que de fato são e devem ser – trabalhando nobremente pela paz crescente e duradoura entre governantes e governados, contribuídos e contribuintes, privilegiados e miseráveis.

Paulo Motta

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PARCERIAS NAS SOMBRAS

“Num país onde impera a corrupção, é proibido ser honesto. Num ambiente onde grassa a mentira, é crime falar a verdade. Numa classe onde a velhice é explorada, ninguém deve amar e respeitar os idosos, sob pena de banimento para o fogo do inferno. Habitamos um lugar onde, também, não é concebível trabalhar de graça por idealismo, por amor ao próximo…”. Marcos Cordeiro.

Não se trata de presunção. Ao contrário, percebo existirem aqui, nos blogs, pessoas mais inteligentes, mais sábias e melhor informadas que eu, sob muitos aspectos. No entanto, em face, talvez, de um esforço constante e enraizado, sinto-me em condições de observar de um ponto de vista imparcial esses desentendimentos entre nossas coortes. Constitui prática saudável, e um método até filosófico, examinar ao máximo a possibilidade de a razão estar do lado daqueles que nos criticam.

Nem tão bom funcionário fui nem posso dizer que me aposentei mal, é verdade. O que me incomoda é a situação aflitiva de quem não teve minha mesma sorte, ainda que a tenha merecido mais que eu. Assim, aquela imparcialidade passa logo e, após a reflexão que pretendo livre, alinho-me com os aposentados e as pensionistas, porque é desse lado que devo, preciso e quero estar.

Nos momentos de curta isenção, é possível admitir, por exemplo, que os bombardeios do Marcos são realmente pesados e, algumas vezes, chegam a machucar mais do que devem ou pretendem. No entanto, se seus desafetos desejam ser vistos com tolerância e compreensão, precisam se fazer acreditar melhor. Tudo que rola no mundo das informações eletrônicas sobre as instituições federadas pesa contra os nereus. Juntamente com os camilos e os sasserons, todos parecem habitar uma região penumbral que não irradia a confiança necessária para captar a simpatia dos aposentados. Que culpa então tem o titular do Blog?

Saiam seus adversários desse mundo de sombras. Deixem-se ver com mais nitidez, em suas ações, e não serão alvo da crítica ácida dos mais indignados. Já circula via e-mails uma interessante informação sobre as reticências, omissões e retraimentos da PREVI, no tocante ao dever de informar sobre tudo que seja de interesse geral e particular de seus assistidos. Dizem que essa atitude é fruto de uma política combinada entre os diversos fundos de pensão, PREVIC e outros parceiros, no sentido de evitar o fornecimento de dados que favoreçam reclamações perante a Justiça. Difícil não ver isso como manobras de porão arquitetadas por entidades que deveriam primar pela seriedade e pela transparência, conforme rezam seus próprios regulamentos internos. Difícil também não imaginar que a FAABB e as AFAS anti-Marcos não façam parte dessa mesma confraria, ainda que existam em seus quadros muita gente bem intencionada.

O problema é que, desde os históricos mais antigos (onde quase não vimos, do lado das associações que se disseram atingidas, o registro de uma defesa efetiva dos cabeças brancas), passando pelo caso da assinatura do representante substituto, pelo episódio da escolha claudicante do auxiliar da presidente da FAABB, pelos elogios a um inimigo assumido, pelas estranhas acontecências de Xerém e pelo equívoco de não distinguir a AAPPREVI de seu presidente, analisando tudo isso não se percebe nesses fatos nenhum feito que se iguale ao que faz pela causa dos desassistidos o titular do Blog Previplano1, castigador implacável dos que já ganham fama de ambíguos e ostentadores.

Gostaria muito que não fosse assim, que até mesmo o próprio Banco acordasse para o fato de que tudo deveria fazer para que sua grande família não se dividisse e que os aposentados poderiam ser seus melhores amigos, fosse outra sua política previdenciária. Mas essas suas posições contraditórias, esses seus distanciamentos do melhor rumo, e todas essas imprecisões de nossos representantes causam indignação crescente e levam aos limites da paciência quem se entrega com destemor a uma luta tão árdua, tão difícil, tão complicada.

Afinal de contas, ainda que o Governo a administre, a Casa não lhe pertence totalmente, e não pode o Partido do Poder escravizá-la a serviço de seus interesses puramente políticos. E, se o Banco tem um passado de bons momentos a resgatar, quem se elegeu com nossos votos para um cargo de confiança deve sair na frente e com firmeza na cobrança desse ideal de libertação, sem deixar para trás o rastro pouco claro da posição duvidosa.

Por tudo isso, Marcos desponta como um herói, enquanto seus adversários embaçam ainda mais sua própria imagem, nessa inoportuna ameaça de processo. Por mais que o atinjam, a vitória moral será sempre dele…

Paulo Motta.

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DA NECESSIDADE DA INDIGNAÇÃO

Morar em uma chácara, a menos de 1 km da rua, em uma pequena cidade do interior é muito bom, sob muitos aspectos. Nem tudo, porém, é tranquilo, como a passarada revoando e a paisagem exuberante que se contempla. Um dos problemas é a Internet no final da linha: 16 dias fora do ar. Às vezes isso ocorre aqui, onde resido. Desse modo, perco seguidamente a possibilidade de acompanhar os assuntos em evidência. Mas o problema está superado, e, no retorno, várias notícias.

A expulsão da AAPPREVI, vejo-a como uma homenagem ao Marcos Cordeiro. Nossa única Associação acreditada, presidida por um homem confiável e combativo, não fica bem compondo o quadro de uma federação que tergiversa demais e não encabeça de fato uma luta eficaz em defesa dos aposentados.

A contundência do Marcos é inegável… e necessária. Nem só com palavras suaves é possível sacudir os alicerces da indiferença e do caráter ambíguo. Contemplemos, por exemplo, o ESTADO GERAL DE CORRUPÇÃO que se agiganta no país. Embora às vezes me expresse em termos militares, não sou nada chegado às armas. Na verdade, prefiro sempre a diplomacia, a mansidão, a brandura. No entanto, preciso reconhecer: de que valem tais virtudes diante do mal que se instala na alma humana e destrói tudo de bom que pode existir na sociedade? Jamais imaginemos que o país necessita de uma nova revolução armada. Contudo, meus amigos, se os povos não brandirem o chicote da indignação, nada vai consertar o mundo.

Nós próprios não podemos deixar de gritar conosco mesmos, de protestar veementemente contra os impulsos que nos atormentam a consciência moral. Se não cingirmos a cinta, se piscarmos o olho demoradamente, quantos de nós não acabaremos sucumbindo às tentações das mordomias, das vantagens, dos favores? Deixemos pois a hipocrisia de lado, para compreender que somos todos tão humanos quanto os corruptos e, inadvertidamente, podemos desgraçar nossa biografia de toda uma vida, se alguma vez, o grito forte de nossos críticos não nos acorda a tempo.

Defendo o Marcos, porque julgo entender sua forma de expressão. Se bem observamos, ela é diferente do discurso meramente agressivo, que somente visa a arrancar pedaços no adversário, a reduzir o desafeto, como modo de igualá-lo ao nível da pequenez de quem agride apenas para ferir e nada mais. O que move nosso presidente é a indignação diante das injustiças dos poderosos e do corpo mole daqueles que fazem jogo duplo para não prejudicar os próprios interesses. A equipe da Isa preferiu não compreender isso.

É claro que necessitamos também de um espaço em que as ideias possam fluir com o mesmo conteúdo, mas de forma a serem aceitas para discussão com o Patrocinador. Essa possibilidade concretiza-se na amplitude da visão do pessoal da AAPPREVI, sempre trabalhando em harmonia com o Presidente, que, além dos canais apropriados para dar vazão à indignação geral, propõe agora a criação de instâncias onde possa ter curso e validade esse diálogo franco e aberto, calcado na experiência dos muitos mestres que possuímos. Os dois últimos posts do Previplano1 podem estar preludiando a formação dessa jurisdição superior capaz de filtrar as ideias circulantes e constituir-se como um órgão capacitado a dialogar em alto nível com as instituições que controlam nossos recursos previdenciários, sempre com firmeza mas sem o tom forte da indignação dos demais veículos de expressão.

Acredito muito nessa última proposta de formação de um Conselho dos Autênticos como sugerido pelo Marcos e visualizado pelo Nasser (comentário no Previplano1), e ainda na forma como o post CHAPA LIMPA esboça a filosofia de enfrentamento das eleições na PREVI. Está sim faltando unidade nas diversas facções que compõem nosso movimento. Se conseguíssemos somar essas diversas associações, organizações e blogs em um órgão central, inspirado na capacidade de aglutinação em torno dos direitos comuns a todos nós, ganharíamos consistência, consciência unificada e, sobretudo, representatividade.

O Conselho necessitaria de pessoal experiente, formado nos próprios setores do Banco, capaz de se comunicar face a face e de igual para igual com os altos escalões institucionais, principalmente para atendimento ao que propõe o item 3d, tópico Propósitos, da proposta em referência. De minha parte, não me parece possível fazer muito. Viagens longas têm sido para mim extremamente difíceis, por razões já explicadas aqui. Brasília e Rio, centros de irradiação dos poderes que necessitamos sensibilizar, vêm me parecendo cada vez mais distantes, à medida que os anos avançam. Contudo, o espírito crítico e a identificação com os problemas dos aposentados e das pensionistas, continuam me mobilizando. O Blog segue em frente.

Desesperamo-nos atrás de boas notícias, mas os pessimistas nos assustam. É inglória toda nossa luta por um final de vida decente? Não temos chances? Contudo, sabemos, pelo menos, que o mal vem lá de fora. Nosso Conselho Vigilante, ora proposto, precisará chegar à frente dos poderosos e ilustrar as causas de nossa indignação crescente. Não somos crianças inconsequentes nem velhos trambiqueiros. Jamais quisemos o Banco invadido e subjugado. O quadro geral é, porém, desolador. Um vírus maligno ameaça todas as instituições criadas pelo homem. A economia mundial, cada vez mais bamba. A corrupção grassa por toda parte. Mata-se e rouba-se pelos motivos mais fúteis. Os valores se invertem. O capitalismo de estado domina o país, praticado por socialistas imprudentes. Nos meios políticos, ser honesto é vergonhoso e pouco inteligente. Sob a toga de nossos magistrados, não todos, ocorrem muito mais coisas do que supõe nossa vã filosofia…

É já o fim do mundo?

Paulo Motta.

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