DA NECESSIDADE DA INDIGNAÇÃO

Morar em uma chácara, a menos de 1 km da rua, em uma pequena cidade do interior é muito bom, sob muitos aspectos. Nem tudo, porém, é tranquilo, como a passarada revoando e a paisagem exuberante que se contempla. Um dos problemas é a Internet no final da linha: 16 dias fora do ar. Às vezes isso ocorre aqui, onde resido. Desse modo, perco seguidamente a possibilidade de acompanhar os assuntos em evidência. Mas o problema está superado, e, no retorno, várias notícias.

A expulsão da AAPPREVI, vejo-a como uma homenagem ao Marcos Cordeiro. Nossa única Associação acreditada, presidida por um homem confiável e combativo, não fica bem compondo o quadro de uma federação que tergiversa demais e não encabeça de fato uma luta eficaz em defesa dos aposentados.

A contundência do Marcos é inegável… e necessária. Nem só com palavras suaves é possível sacudir os alicerces da indiferença e do caráter ambíguo. Contemplemos, por exemplo, o ESTADO GERAL DE CORRUPÇÃO que se agiganta no país. Embora às vezes me expresse em termos militares, não sou nada chegado às armas. Na verdade, prefiro sempre a diplomacia, a mansidão, a brandura. No entanto, preciso reconhecer: de que valem tais virtudes diante do mal que se instala na alma humana e destrói tudo de bom que pode existir na sociedade? Jamais imaginemos que o país necessita de uma nova revolução armada. Contudo, meus amigos, se os povos não brandirem o chicote da indignação, nada vai consertar o mundo.

Nós próprios não podemos deixar de gritar conosco mesmos, de protestar veementemente contra os impulsos que nos atormentam a consciência moral. Se não cingirmos a cinta, se piscarmos o olho demoradamente, quantos de nós não acabaremos sucumbindo às tentações das mordomias, das vantagens, dos favores? Deixemos pois a hipocrisia de lado, para compreender que somos todos tão humanos quanto os corruptos e, inadvertidamente, podemos desgraçar nossa biografia de toda uma vida, se alguma vez, o grito forte de nossos críticos não nos acorda a tempo.

Defendo o Marcos, porque julgo entender sua forma de expressão. Se bem observamos, ela é diferente do discurso meramente agressivo, que somente visa a arrancar pedaços no adversário, a reduzir o desafeto, como modo de igualá-lo ao nível da pequenez de quem agride apenas para ferir e nada mais. O que move nosso presidente é a indignação diante das injustiças dos poderosos e do corpo mole daqueles que fazem jogo duplo para não prejudicar os próprios interesses. A equipe da Isa preferiu não compreender isso.

É claro que necessitamos também de um espaço em que as ideias possam fluir com o mesmo conteúdo, mas de forma a serem aceitas para discussão com o Patrocinador. Essa possibilidade concretiza-se na amplitude da visão do pessoal da AAPPREVI, sempre trabalhando em harmonia com o Presidente, que, além dos canais apropriados para dar vazão à indignação geral, propõe agora a criação de instâncias onde possa ter curso e validade esse diálogo franco e aberto, calcado na experiência dos muitos mestres que possuímos. Os dois últimos posts do Previplano1 podem estar preludiando a formação dessa jurisdição superior capaz de filtrar as ideias circulantes e constituir-se como um órgão capacitado a dialogar em alto nível com as instituições que controlam nossos recursos previdenciários, sempre com firmeza mas sem o tom forte da indignação dos demais veículos de expressão.

Acredito muito nessa última proposta de formação de um Conselho dos Autênticos como sugerido pelo Marcos e visualizado pelo Nasser (comentário no Previplano1), e ainda na forma como o post CHAPA LIMPA esboça a filosofia de enfrentamento das eleições na PREVI. Está sim faltando unidade nas diversas facções que compõem nosso movimento. Se conseguíssemos somar essas diversas associações, organizações e blogs em um órgão central, inspirado na capacidade de aglutinação em torno dos direitos comuns a todos nós, ganharíamos consistência, consciência unificada e, sobretudo, representatividade.

O Conselho necessitaria de pessoal experiente, formado nos próprios setores do Banco, capaz de se comunicar face a face e de igual para igual com os altos escalões institucionais, principalmente para atendimento ao que propõe o item 3d, tópico Propósitos, da proposta em referência. De minha parte, não me parece possível fazer muito. Viagens longas têm sido para mim extremamente difíceis, por razões já explicadas aqui. Brasília e Rio, centros de irradiação dos poderes que necessitamos sensibilizar, vêm me parecendo cada vez mais distantes, à medida que os anos avançam. Contudo, o espírito crítico e a identificação com os problemas dos aposentados e das pensionistas, continuam me mobilizando. O Blog segue em frente.

Desesperamo-nos atrás de boas notícias, mas os pessimistas nos assustam. É inglória toda nossa luta por um final de vida decente? Não temos chances? Contudo, sabemos, pelo menos, que o mal vem lá de fora. Nosso Conselho Vigilante, ora proposto, precisará chegar à frente dos poderosos e ilustrar as causas de nossa indignação crescente. Não somos crianças inconsequentes nem velhos trambiqueiros. Jamais quisemos o Banco invadido e subjugado. O quadro geral é, porém, desolador. Um vírus maligno ameaça todas as instituições criadas pelo homem. A economia mundial, cada vez mais bamba. A corrupção grassa por toda parte. Mata-se e rouba-se pelos motivos mais fúteis. Os valores se invertem. O capitalismo de estado domina o país, praticado por socialistas imprudentes. Nos meios políticos, ser honesto é vergonhoso e pouco inteligente. Sob a toga de nossos magistrados, não todos, ocorrem muito mais coisas do que supõe nossa vã filosofia…

É já o fim do mundo?

Paulo Motta.

  1. #1 por superavitsprevi em novembro 13, 2011 - 9:45 pm

    Edgardo,

    Dois pensadores que muito admiro são você e o Mário Sérgio Cortella. Ele falando e você escrevendo. A naturalidade com que se expressam faz supor que foram vocês que inventaram a filosofia. Escutar Sérgio e ler Edgardo nunca é entendiante, para quem tem sede de conhecimento. Mas Sérgio é um fenômeno, falando. Escrevendo, não impressiona tanto.

    Um abraço. Apareça sempre.

    Paulo Motta

  2. #2 por superavitsprevi em novembro 13, 2011 - 9:53 pm

    Valeu, Cláudia do Rio. Sirvo-me de uma expressão de um funcionário com quem trabalhei em Santa Maria do Suaçuí (MG), Jared das Alagoas. EDGARDO É SUPIMPA PORRETA!!! Categoria que o colega reservava para aqueles realmente insuperáveis!

    Paulo Motta

  3. #3 por superavitsprevi em novembro 13, 2011 - 10:20 pm

    José Admir,

    Comentando seu texto, o anônimo da 1:29, no post anterior, abre uma reflexão importante. A denúncia dessa invasão sindicalista na estrutura administrativa do Banco é algo realmente de suma importância. Mas o argumento do anônimo parece procedente. Ha realmente, em quase toda a mídia, algum senão a respeito, quando se trata de assuntos ligados ao Banco e a seus funcionários, da ativa ou aposentados? Tudo que cai na imprensa sobre desmandos, abusos de poder, distorções administrativas, tem logo espaço e repercussão imediata. Quando o assunto é sobre nós, reina um estranhíssimo silêncio. Na mídia escrita, quase só Eliakim Araújo e uns poucos dizem alguma coisa. Na falada, aquele discurso do Ruy Brito no Congresso normalmente ensejaria desdobramentos multiplicados, fossem outros os alvos de suas críticas. Entre nós, há quem se declare inimigo do Banco. Não chego a tanto, embora respeite as razões de cada um. Contudo, tenho saudades daquele Banco do Brasil que não deixava passar nada que cheirasse à irregularidade.

    Paulo Motta.

  4. #4 por Anônimo em novembro 14, 2011 - 7:11 am

    ´´E isso Paulo Motta, penso assim como você. Vamos Soltar nosso grito de indignação com tudo que está acontecendo – a exemplo dos caras pintadas – sem políticos, sem partidos, sem sindicatos. Somente com acoragem e com a verdade.
    Antonio Fuzinelli
    Arapongas PR

  5. #5 por superavitsprevi em novembro 14, 2011 - 2:41 pm

    Cláudia Oliveira,

    Tudo bem comigo, atualmente, obrigado. Sobre as previsões sombrias da Cecília (BET), prefiro não acreditar. Seria possível a situação chegar a esse ponto sem atingir outros interesses? Isso poderia romper o limite de equilíbrio entre as partes. Uma política injusta como essa que se pratica no gerenciamento de nosso fundo de pensão não pode ultrapassar um marco a partir do qual instala-se o caos. Os aposentados e pensionistas não têm mais como suportar as consequências da invasão sindicalista.

    Paulo Motta.

  6. #6 por Anônimo em novembro 14, 2011 - 6:41 pm

    nlkjujdfojqwj
    xuoiflcnl

  7. #7 por Paulo Motta em novembro 14, 2011 - 7:02 pm

    Teste Anônimo

  8. #8 por Anônimo em novembro 14, 2011 - 7:03 pm

    Teste Anônimo

  9. #9 por Anônimo em novembro 14, 2011 - 7:05 pm

    TESTE ANÔNIMO

  10. #10 por Anônimo em novembro 14, 2011 - 7:07 pm

    Tamíramis e demais anônimos,

    Experimentem clicar na palavra Guest, primeiro campo abaixo, deixando o resto em branco.

    Paulo Motta.

  11. #11 por Juarez Barbosa em novembro 14, 2011 - 9:56 pm

    Prezado Paulo Motta,

    Por motivo de força maior, peço desconsiderar o convite formulado por mim para composição/apoio de Chapa para concorrer às próximas eleições Previ 2012.

    Desculpem-me pelo eventual transtorno causado por esta decisão.

    Atenciosamente,

    Juarez Barbosa

  12. #12 por Anônimo em novembro 14, 2011 - 10:55 pm

    Senhor Paulo,
    parabéns por esse belíssimo blog.

    Na minha agência, quando da um tempinho acompahamos os blogs do senhor Marcos, Juarez, Medeiros, Ari Zanella e este, e tem muita gente antenada com vocês.

    Esse fato, gerou uma bronca, dada por meu superior em mim, e nas colegas que também
    estavam vendo o blog. Estavamos no nosso horário de almoço, esse vejame foi visto
    por outros colegas, e causou bastante constrangimentos.

    Eu pergunto: posso ser mandada “EMBORA” do meu trabalho por essa “falta”?

    Tenho receio, pois vários colegas já foram demitidos( Ñ POR ESSE FATO)

    Agradeço por sua atenção.

    Boa sorte senhor Marcos, e obrigada.

    Abraços

    Tamíramis. São Paulo.

  13. #13 por Anônimo em novembro 15, 2011 - 12:39 am

    Tamíramis,

    Confesso que seu comentário me emocionou. Subitamente, senti-me na mesma situação de vocês, lá em minha primeira agência, escondendo um jornal de caricaturas que fazíamos circular retratando ocultamente nossos chefes em situações cômicas. Nossa fauna interna é muito rica e ainda existem supervisores caretas que deveriam fazer vista grossa em cima desses pequenos momentos em que se está trabalhando por eles também, embora estejam a anos-luz de distância dessa compreensão.

    O caso que você descreve, ocorrido fora do expediente, pode estar mostrando que os blogs devem estar virando literatura condenada. Não há que se falar em demissão. E ninguém está tentando destruir o Banco. No fundo, desejamos todos que isso termine bem e ninguém saia ferido, nem de um lado nem do outro. Essa é que é a Boa Guerra, a Guerra dos Cabeças Brancas. O autêntico funcionário do Banco não machuca ninguém, não rouba, não mata, não faz mutretas e não participa de festins sinistros nos cofres do tesouro público, conforme sempre aprendemos dentro da própria escola do Banco, mas fica uma fera diante da contemplação de direitos pisados, seja de quem for. O verdadeiro funcionário do Banco deve trabalhar com zelo e dedicação; mas, para ser autêntico, precisa também querer que o Governo, a PREVI, a PREVIC e a ANABB mudem para melhor, para que o Banco volte a ser um modelo de empresa, em todos os sentidos.

    Quarenta anos se passaram desde a primeira Agência e, agora, você me informa que há muita gente da ativa lendo o que escrevemos. O Banco já não é o mesmo daqueles tempos. Dizem nossos mestres (sou apenas um discípulo) que tudo isso é resultado de uma invasão sindicalista forçada pelo governo para subjugar o Banco. Nossa luta por nossos direitos é muito válida. Mas deveríamos lutar também pelo Banco, para que volte a ser como era, no tempo em que nos chamava de funcionários, e não de empregados. E não deveríamos combater apenas em defesa do crescimento moral, econômico e financeiro do Banco. Nossa guerra deve ser maior ainda. Precisamos nos integrar com toda a sociedade brasileira, em luta aberta contra a corrupção. E mais extensa ainda é nossa guerra, porque, na verdade, precisamos, todos os seres humanos conscientes, precisamos derrotar o mal que cresce perigosamente em nossas almas.

    Desculpe-me, Tamíramis. Quando escrevo, tenho dificuldades de pisar no freio…

    Um abraço pra você e a turma que lê escondido.

    Paulo Motta.

  14. #14 por Graziela em novembro 15, 2011 - 1:12 pm

    Paulo Motta, boa tarde!!

    Bravo!! Bravissimo!!
    Emocionada!
    Ansiosa por ver este Conselho formado, funcionando legalmente constituido e com poderes de atuação/decisão em favor e em prol da PREVI e dos seus associados, principalmente os aposentados e pensionistas!!
    Me cativa e impressiona estas cabeças pensantes oradores e literados a exemplo do Paulo, Marcos, Edgardo, Juarez, Ari, Sergio….. . Como voces são jovens, capazes e atuantes!!
    Venho acompanhando a todos, pois quero ser uma discipula destes!!

    Graziela

  15. #15 por Anônimo em novembro 15, 2011 - 2:37 pm

    Graziela,

    Falou, Graziela. Muito obrigado. Que belas palavras e que belo nome esse seu! Mas não me coloque muito lá em cima, porque sou também apenas um discípulo desses que você citou.

    Paulo.

  16. #16 por Anônimo em novembro 15, 2011 - 2:42 pm

    Anônimos bem intencionados,

    Quero vocês aqui. Como podem ler aí para cima, testei e instrui Tamíramis a clicar
    na palavra “Guest”, no primeiro campo abaixo de onde se digitam os comentários. Porém, ainda não recebi retornos para saber se está funcionando.

    Paulo Motta.

  17. #17 por JOSE ADMIR DE PAULA em novembro 16, 2011 - 11:49 am

    Sobre a formação de uma chapa de oposição para concorrer as eleições na Previ, gostaria inicialmente de sugerir aos simpatizantes da idéia a desfiliação imediata da Anabb. O motivo é óbvio, como você pretende vencer uma eleição, alimentando financeiramente seu
    oponente?

    Portanto, aos colegas aposentados, que defendem a formação de uma candidatura de oposição séria, com propósitos de inovar a atual diretoria, a primeira e mais importante providência a tomar é se desfiliar da Anabb. Por que a Anabb pertence a chapa da situação, a que está no poder.

    Entendeu?

  18. #18 por Anônimo em novembro 16, 2011 - 11:27 pm

    José Admir,

    Confesso que, até pouco tempo, não me dispunha a desfiliar-me da ANABB, pelos seguintes motivos:
    . No princípio cheguei a acreditar que se tratava de uma organização que lutava por nossos
    interesses;
    . Posteriormente, compreendendo melhor o assunto, passei a imaginar que, desfiliando-me,
    perderia a condição de fazer oposição e participar de um movimento para criação de uma chapa
    confiável;
    . estava preso a financimentos de tratamento dentário meu e de meus dependentes;
    . não acreditava na possibilidade de conseguirmos motivar uma desfiliação em massa.

    No entanto, começei a mudar essas idéias. Realmente, estamos engordando o boi do adversário. Em janeiro, pretendo desfiliar-me definitivamente, em face de minhas razões pessoais, assim como por alimentar hoje uma esperança de que esse movimento pode crescer e dar certo, conforme você também pensa.

    Acima de tudo, estará sempre minha solidariedade com a causa dos injustiçados pela PREVI e iludidos por associações que nada fazem de concreto, em termos de uma resistência positiva e autêntica.

    Um abraço fraterno,

    Paulo Motta.

  19. #19 por Edgardo Amorim Rego em novembro 17, 2011 - 10:32 pm

    Estaria eu enganado? Acho que o Acórdão da Justiça do Trabalho do Paraná merece séria e profunda reflexão: as aposentadorias e pensões de número imenso de associados da PREVI ESTÃO SUBAVALIADAS, há quem diga, que sejam 12.000 aposentadorias e 5.000 pensões. Por isso, ontem conclamei as associações a ingressarem no TRIBUNAL DO TRABALHO com as seguintes ações:
    – liminar impedindo a distribuição de suposto superávit, até que se reajustem as aposentadorias e pensões;
    – ação de resjuste das aposentadorias e pensões.
    Edgardo Amorim Rego

  20. #20 por rosa calixto em novembro 21, 2011 - 4:53 pm

    Caro Paulo Motta,

    Seria muito lhe pedir no seu jeitinho especial de falar, que se dirigisse ao Juarez e pedisse a ele que retomasse a sua iniciativa de cronometrar a nossa luta, unificando os grupos todos?
    Temos todos os mesmos objetivos, vamos em frente, por que unidos seremos invencíveis.
    Precisamos superar nossas divergências com diálogo.
    E fazer esta chapa, contemplando os melhores dos nossos grupos combativos.
    Please.

    Um abraço

    Rosa Calixto

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