PARCERIAS NAS SOMBRAS

“Num país onde impera a corrupção, é proibido ser honesto. Num ambiente onde grassa a mentira, é crime falar a verdade. Numa classe onde a velhice é explorada, ninguém deve amar e respeitar os idosos, sob pena de banimento para o fogo do inferno. Habitamos um lugar onde, também, não é concebível trabalhar de graça por idealismo, por amor ao próximo…”. Marcos Cordeiro.

Não se trata de presunção. Ao contrário, percebo existirem aqui, nos blogs, pessoas mais inteligentes, mais sábias e melhor informadas que eu, sob muitos aspectos. No entanto, em face, talvez, de um esforço constante e enraizado, sinto-me em condições de observar de um ponto de vista imparcial esses desentendimentos entre nossas coortes. Constitui prática saudável, e um método até filosófico, examinar ao máximo a possibilidade de a razão estar do lado daqueles que nos criticam.

Nem tão bom funcionário fui nem posso dizer que me aposentei mal, é verdade. O que me incomoda é a situação aflitiva de quem não teve minha mesma sorte, ainda que a tenha merecido mais que eu. Assim, aquela imparcialidade passa logo e, após a reflexão que pretendo livre, alinho-me com os aposentados e as pensionistas, porque é desse lado que devo, preciso e quero estar.

Nos momentos de curta isenção, é possível admitir, por exemplo, que os bombardeios do Marcos são realmente pesados e, algumas vezes, chegam a machucar mais do que devem ou pretendem. No entanto, se seus desafetos desejam ser vistos com tolerância e compreensão, precisam se fazer acreditar melhor. Tudo que rola no mundo das informações eletrônicas sobre as instituições federadas pesa contra os nereus. Juntamente com os camilos e os sasserons, todos parecem habitar uma região penumbral que não irradia a confiança necessária para captar a simpatia dos aposentados. Que culpa então tem o titular do Blog?

Saiam seus adversários desse mundo de sombras. Deixem-se ver com mais nitidez, em suas ações, e não serão alvo da crítica ácida dos mais indignados. Já circula via e-mails uma interessante informação sobre as reticências, omissões e retraimentos da PREVI, no tocante ao dever de informar sobre tudo que seja de interesse geral e particular de seus assistidos. Dizem que essa atitude é fruto de uma política combinada entre os diversos fundos de pensão, PREVIC e outros parceiros, no sentido de evitar o fornecimento de dados que favoreçam reclamações perante a Justiça. Difícil não ver isso como manobras de porão arquitetadas por entidades que deveriam primar pela seriedade e pela transparência, conforme rezam seus próprios regulamentos internos. Difícil também não imaginar que a FAABB e as AFAS anti-Marcos não façam parte dessa mesma confraria, ainda que existam em seus quadros muita gente bem intencionada.

O problema é que, desde os históricos mais antigos (onde quase não vimos, do lado das associações que se disseram atingidas, o registro de uma defesa efetiva dos cabeças brancas), passando pelo caso da assinatura do representante substituto, pelo episódio da escolha claudicante do auxiliar da presidente da FAABB, pelos elogios a um inimigo assumido, pelas estranhas acontecências de Xerém e pelo equívoco de não distinguir a AAPPREVI de seu presidente, analisando tudo isso não se percebe nesses fatos nenhum feito que se iguale ao que faz pela causa dos desassistidos o titular do Blog Previplano1, castigador implacável dos que já ganham fama de ambíguos e ostentadores.

Gostaria muito que não fosse assim, que até mesmo o próprio Banco acordasse para o fato de que tudo deveria fazer para que sua grande família não se dividisse e que os aposentados poderiam ser seus melhores amigos, fosse outra sua política previdenciária. Mas essas suas posições contraditórias, esses seus distanciamentos do melhor rumo, e todas essas imprecisões de nossos representantes causam indignação crescente e levam aos limites da paciência quem se entrega com destemor a uma luta tão árdua, tão difícil, tão complicada.

Afinal de contas, ainda que o Governo a administre, a Casa não lhe pertence totalmente, e não pode o Partido do Poder escravizá-la a serviço de seus interesses puramente políticos. E, se o Banco tem um passado de bons momentos a resgatar, quem se elegeu com nossos votos para um cargo de confiança deve sair na frente e com firmeza na cobrança desse ideal de libertação, sem deixar para trás o rastro pouco claro da posição duvidosa.

Por tudo isso, Marcos desponta como um herói, enquanto seus adversários embaçam ainda mais sua própria imagem, nessa inoportuna ameaça de processo. Por mais que o atinjam, a vitória moral será sempre dele…

Paulo Motta.

  1. #1 por Claudemir Dalmedico em novembro 24, 2011 - 8:20 am

    Estimado Paulo,
    Parabéns pela sua análise. Irretocável, extremamente lógica.
    As figuras citadas deveriam se considerar com “prazo de validade vencido” ou “fora de área ou eternamente desligados”.
    Graças a pessoas como você, o Marcos, o Dr. Medeiros, o Juarez, o sr. Rossi em breve, com certeza, conseguiremos ser uma força para fazer frente a esta vergonhosa rapinagem institucional. Não percamos a fé!

  2. #2 por Rogério LuizCarvalho em novembro 24, 2011 - 8:29 am

    Bom dia coléga Paulo, estou hospitalizado e hoje minha espôsa trouxe o notebook para eu dar
    uma olhada, pois já estou melhor, graças a Deus, e gostaria de dizer que fostes muito feliz e
    competente na redação dotexto, principalmente em relação ao amigo Marcos Cordeiro. nosso
    querido Presidente e incansável batalhador em pról dos assistidos do pb1. Coléga Paulo conti
    nue sempre a nos brindar com seus excelentes textos, e vamos seguir na luta por dias melho
    res. Um abração bastante Paz e saúde, Rogério Luiz Carvalho.

  3. #3 por superavitsprevi em novembro 24, 2011 - 6:26 pm

    Juarez,

    Juarez, você é tão grande em sua humildade que, mesmo em suas desistências precoces, assumindo ou desistindo, pouco importa, você continua sendo um de nossos maiores! E é por isso que gostaríamos muito que você participasse da montagem da Chapa Limpa. E pode ter certeza de que é muita gente mesmo que admira sua serenidade, sua mansidão e a paz que você transmite, mesmo quando indignado, mesmo quando enraivecido e revoltado com as injustiças cometidas pelos integrantes daquelas chapas que não contaram com seu voto nem com sua participação. Não se amofine com as críticas injustas, caro Mestre, porque seu coração é bom e sua intenção é pura, sua inteligência é rara e é profundo seu conhecimento da vida e das mazelas de nosso contra-fundo de pensão. Precisamos muito de você, como ser humano, como colega e como norteador de nossos melhores caminhos rumo ao resgate do Banco e à redenção da Previ.

    Um abraço fraterno

    Paulo Motta.

  4. #4 por superavitsprevi em novembro 24, 2011 - 6:54 pm

    Dalmedico,

    Veja só! Existe toda uma estrutura combinada, envolvendo até membros do judiciário, formando um cinturão instransponível em torno dos recursos dos diversos fundos de pensão. Daí ser tão difícil essa luta pelos direitos pisados de tanta gente que envelheceu trabalhando honradamente. Reinasse pelo menos um sentimento de mediana satisfação, de situação financeira razoavelmente equilibrada entre os aposentados e pensionistas em geral, seria compreensível que o excedente, o que sobra no fundo do caixa, após uma distribuição justa, fosse encaminhado para outras políticas de interesse público, de forma controlada e transparente, sob acordo com os reais proprietários desses recursos. Porém, enquanto restar um único aposentado ou uma só pensionista padecendo os horrores de uma queda brutal em seus orçamentos e sua capacidade de sustentar suas famílias, honrando dignamente seus compomissos, enquanto isso for uma realidade incandescente, incontestável, não há como calar a voz dessa multidão´crescente de injustiçados pela crueldade de um sistema insensível, surdo, cego e mudo diante de uma realidade pungente: chutar a bengala dos idosos é crime de lesa-ancianidade…

    Paulo Motta.

  5. #5 por superavitsprevi em novembro 24, 2011 - 8:30 pm

    Rogério,

    Admirável, amigo! Nota 10! Nem mesmo em seu leito de hospital, você fica sem sua ferramenta de trabalho. Realmente, é difícil permanecer distante do noticiário. Mas cuide-se, Rogério. Saúde é saúde. Não deixe que tanta má notícia fragilize sua capacidade de recuperação. Você é atuante, consciente e necessário.

    Um abraço,

    Paulo Motta.

  6. #6 por superavitsprevi em novembro 24, 2011 - 8:38 pm

    “Difícil também não imaginar que a FAABB e as AFAS anti-Marcos não façam parte dessa mesma confraria, ainda que “exista” em seus quadros muita gente bem intencionada”. Um pouco de gramática não faz mal. O verbo “existir não concordou com o sujeito “muita gente”, no post.

    Paulo Motta.

  7. #7 por Ricardo Annoni Neto em novembro 24, 2011 - 9:44 pm

    Caro Paulo Motta; longe de mim criticar o que você escreve. Aliás, se é que você pode lembrar, já postei comentário aqui no blog elogiando seu estilo claro e objetivo de expor as idéias. Suas popstagens são, por assim dizer, um consolo para nossas aflições de aposentados. Mas já que você mesmo apontou um erro de gramática que eu, sinceramente, nem havia percebido, comecei a analisar seu texto. Foi então que comecei a achar que advérbio “não”, colocado duas vezes, confunde um pouco o entendimento (mas só para aqueles que se deram ao trabalho desnecessário de examinar a redação). Entenda isso como uma conversa entre amigos que estivessem tomando um guaraná (dificilmente bebo cerveja) em uma reunião familiar. Entendi perfeitamente seu raciocínio e a ideía que quiz transmitir e isso é que interessa. Esses “errinhos”………deixa pra lá que todos nós temos muitos (e bem piores). Não precisa publicar isso no blog. Talvêz eu estivesse precisando conversar hoje com um amigo sem ter que me lamentar sobre as coisas que nos afligem e me agarrei a este assunto, me desculpe.Abraços.

    Ricardo Annoni Neto

  8. #8 por Raul Lima de Avellar e Almeida em novembro 26, 2011 - 5:28 pm

    Prezados colegas

    Ao longo da luta pela formação de uma CHAPA de Oposição anotei o oferecimento de solidariedade e ajuda de diversos colegas, dentre os quais anotei: Antonio Carlos Ferreira Macedo, Heleno Pinto Nobre
    o Cláudio (Piracicaba), DivanY Silveira (Sete Lagoas), Onival Celestino (Campo Grande), Wilson Luiz (que quer lutar a mãe de todas as batalhas ao nosso lado), Rogério (Pelotas), Amilton (Sete Lagoas), Airton (Cataguases) Elias,
    Elizabeth, Paraguassu (Juiz de Fora
    Teixeira (Araruama), o Thompson e a Cláudia do Rio, a Jane e a Lena (Rio),Chakal Hallak (São João del
    Rei), o anônimo Yes, we can, e os
    demais anônimos que se dispuserem
    a ajudar nessa caminhada solicito
    que enntrem em contato comigo pelo
    raulavellar@terra.com.br uma vez
    que qualquer tipo de ajuda será encaminhada à Secretaria do Grupo
    (colega Lidia) para o fornecimento
    do material de propaganda e afins.
    Desde logo, obrigado a todos

    Raul Avellar

  9. #9 por Graziela em novembro 7, 2012 - 5:40 pm

    Parabens!!! Sr. Paulo Mota! Que brilhante e apropriada análise dos fatos e atos que vêm acometendo os defensores e assistidos do Plano 1 da PREVI! Apesar de já estar fazendo aniversário, continua muito atual. Para mim, foi a clara expressão dos meus sentimentos tb.

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